sábado, 11 de agosto de 2012

ATIVIDADES COMPLEMENTARES - 3º ANO/DEZEMBRO DE 2012


 Já sabemos que os gêneros CHARGES e TIRAS são também da tipologia do argumentar. A tarefa agora é ir ao BLOG http://piedadeteodoro.blogspot.com.br/2012/08/genero-do-argumentar-charge.html para desenvolver todas as atividades sugeridas.



Entre em contato com os gêneros CHARGE e TIRA que também exploram a tipologia do argumentar

Leia as CHARGES e TIRAS com atenção, observando não só a exposição escrita, mas também a visual para, em seguida, responder as questões propostas.  



Atente às afirmações abaixo.
1.      A charge é um gênero composto por uma linguagem verbal e uma linguagem visual com o objetivo de criticar, por meio do humor, um problema social, político, no caso, a violência.
  1. Observando as charges em questão, pode-se afirmar que ambas discutem a falta de paz e o excesso de violência.
  2. Para entender a primeira charge “A pomba da paz no divã”, não é necessário que o leitor saiba que o pombo branco é símbolo da paz em nossa cultura.
  3. O humor da charge, que possui a pomba como personagem, é conseguido não só pelo aspecto linguístico, mas também visual.
  4. A paciente “Pomba da Paz” necessita das orientações de um profissional analista, pois está se sentindo preterida: a violência está ocupando o espaço dela.
  5. Na charge nº 2, o pombo branco, como já se sabe, é o mensageiro da paz; mas se observa que a charge cria essa imagem de forma irônica: o pombo, deitado no divã do analista, revela, com a expressão facial, um descontentamento com a situação de violência, já o analistata se mostra, com um charuto na boca, um descaso em relação à mesma situação.   
  6. A charge nº 1 critica diretamente a violência na cidade do Rio de Janeiro, pois a figura explorada se refere ao principal cartão postal do Brasil, o Cristo Redentor carioca.
  7. Não é necessário que o leitor saiba que a escultura “Cristo Redentor” é símbolo da paz em nossa cultura para entender a primeira charge “A pomba da paz no divã”,                                                                                                                                                            Aponte a afirmação VERDADEIRA.       
a      As afirmações 1, 2 e 3 são falsas.
        Todas as afirmações são falsas.
       Todas as afirmações são verdadeiras.
       As afirmações 3 e 8 são falsas.

Leia o artigo “Paz social”, de Gilberto Dimenstein para que realize a atividade proposta.

          Está comprovado que a violência só gera violência. A rua serve para a criança como uma escola preparatória. Do menino marginal, esculpe-se o adulto marginal, talhado diariamente por uma sociedade violenta que lhe nega condições básicas de vida.
         Por trás de um garoto abandonado existe um adulto abandonado. E o garoto abandonado de hoje é o adulto abandonado de amanhã. É um círculo vicioso, em que todos são vítimas, em maior ou menor escala. Vítimas de uma sociedade que não consegue garantir um mínimo de paz social. Paz social significa é poder andar na rua sem ser incomodado por pivetes. Isso porque, num país civilizado, não existem pivetes. Existem crianças desenvolvendo suas potencialidades. Paz é não ter medo de sequestradores. È nunca desejar comprar uma arma para se defender ou querer se refugiar em Miami. É não considerar normal a idéia de que o extermínio de crianças ou adultos garanta a segurança. Entender a infância marginal significa entender por que um menino vai para a rua e não para a escola. Essa é, em essência, a diferença entre o garoto que está dentro do carro, de vidros fechados, e aquele que se aproxima do carro para vender chiclete ou pedir esmola. E essa é a diferença entre desenvolvido e um país de Terceiro Mundo.
       É também entender a história do Brasil, marcada pelo descaso das elites em relação aos menos privilegiados. Esse descaso é simbolizado por uma frase que fez muito sucesso na política brasileira: caso social é caso de polícia.
      A frase surgiu como uma justificativa para o tratamento dado ao trabalhador no começo do século XX. Em outras palavras, é a mesma postura que as pessoas assumem hoje em relação à infância carente e aos meninos de rua. (DIMENSTEIN, Gilberto. O cidadão de papel: a infância, a adolescência e os direitos humanos no Brasil. 20. ed. São Paulo: Ática, 1993.).

Atente às afirmações abaixo.
I.                    A produção de um artigo de opinião pressupõe a existência de uma situação social de comunicação em que estejam envolvidos, por exemplo, um jornal ou uma revista, seu editor, um articulista convidado e os leitores, isto é, pessoa interessadas em conhecer a opinião do referido articulista sobre determinados assuntos.
II.                  A tese do artigo de opinião “Paz social”  é “Está comprovado que a violência só gera violência”, crianças que vivem na rua se preparam para ser adultos marginais.
III.               A autoria utiliza como argumentos para sustentar a tese: “a rua serve para a criança como uma escola preparatória”; “Por trás de um garoto abandonado existe um adulto abandonado. E o garoto abandonado de hoje é o adulto abandonado de amanhã. É um círculo vicioso, em que todos são vítimas, em maior ou menor escala.
IV.                Paz social significa é ter tranqüilidade e a certeza de poder andar pelas e voltar sãos e salvos para casa.
V.                  O autor do artigo defende que o adulto marginal, na maioria das vezes, foi talhado ao longo da meninice marginal, morando nas ruas sem apoio dos adultos.
VI.                A garantia de paz social é a garantia de direitos iguais para todos.
VII.             De acordo com o texto, a situação de “infância marginal”, isto é, crianças que vivem sem amparo das autoridades e da sociedade em geral, é característica de pais de terceiro mundo.
VIII.           Após a leitura do artigo “Paz social”, parte da obra “O cidadão de papel”, de Gilberto Dimenstein, percebe-se que o título se relaciona ao problema social sociais enfrentados no artigo em questão, pois sugere que os direitos do cidadão brasileiro  são tratados com fragilidade como um papel.
IX.                A violência continua sendo tema também no artigo de Dimenstein.

33. Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas CORRETAS com base na leitura do artigo de opinião “Paz social”, de Gilberto Dimenstein. 

A) II, III, IV e V, apenas.
B) I, II, IV e V, apenas.
C) I, II e III, apenas.
D) Todas as afirmações estão corretas. 
E) I, II, III, IV  V, VIII e X.

DESENVOLVER AS ATIVIDADES SUGERIDAS E, EM SEGUIDA, CONSTATAR NOTA, ACERTOS E ERROS 
http://www.fisicafacil.pro.br/simulado-charges.htm   



CHARGES E TIRINHAS NO VESTIBULAR

Analise a charge acima:
 a) Que resposta o professor esperava ouvir?
b) Como a frase foi interpretada pelo aluno?
c) Qual a crítica implícita na resposta do aluno?


1- UNIFESP
Considere a charge



I. O advérbio já, indicativo de tempo, atribui à frase o sentido de mudança.
II. Entende-se pela frase da charge que a população de idosos atingiu um patamar inédito no país.
III. Observando a imagem, tem-se que a fila de velhinhos esperando um lugar no banco sugere o aumento de idosos no país.
Está correto o que se afirma em
A) I apenas.
B) II apenas.
C) I e II apenas.
D) II e III apenas.
E) I, II e III.

2-UNIFESP
É correto afi  rmar que a charge visa

A) apoiar a atitude dos alunos e propor a liberação geral da frequência às aulas.
B) enaltecer a escola brasileira e homenagear o trabalho docente.
C) indicar a defl  agração de uma greve e incentivar a adesão a ela.
D) recriminar os alunos e declarar apoio à política educacional.
E) criticar a situação atual do ensino e denunciar a evasão escolar.

3- GV
I. A resposta esperada pela menina era “a rua”.
II. Na frase de Mafalda, no segundo quadrinho, Miguelito é o sujeito da oração.
III. Em português, o sujeito de uma oração pode ser inexistente, como em “Choveram reclamações na empresa por causa do apagão na Internet.”
IV. A resposta de Miguelito seria compatível com a pergunta:
Ao prefeito cabe que responsabilidade?
Pela leitura das afirmações, conclui-se que
A)nenhuma delas está correta.                           D) apenas III e IV estão corretas.
B) apenas I e III estão corretas.                           E) todas elas estão corretas.
C) apenas II e III estão corretas.


4-UFSCAR
Trata-se de uma charge publicada por um jornal brasileiro por ocasião da eleição do sul-coreano Ban Ki-Moon,
como presidente da ONU, e da realização de um teste nuclear a mando do ditador norte-coreano Kim Jong-il.
a) Como a diferença de emprego sintático do verbo vencer modifica o sentido das duas frases?
b) “Reconstrua” as duas frases, de maneira que os sentidos sugeridos pelas imagens fiquem, também, explí-
citos no texto escrito.


5- INSPER
O que motivou o apito do juiz foi
a) a necessidade de empregar a ênclise para seguir a norma-padrão.
b) o uso de um objeto direto no lugar de um objeto indireto.
c) a opção pelo pronome pessoal oblíquo “o” em vez de “a”.
d) a obrigatoriedade da mesóclise nessa construção linguística.
e) a transgressão às regras de concordância nominal relacionadas ao pronome.
6- INSPER
Para criticar a possível aprovação de um novo imposto pelos deputados, o cartunista adotou como estratégias
a) polissemia das palavras e onomatopeia.
b) traços caricaturais e eufemismo.
c) paradoxo e repetição de palavras.
d) metonímia e círculo vicioso.
e) preterição e prosopopeia.
7- UNIFESP
Analise as armações.
I. O efeito de humor da charge advém da ideia de engano na ligação, decorrente das diferentes formas para enunciar o mesmo nome.
II. Em determinados contextos comunicativos, Wilson e Wirso podem ser usados como formas equivalentes, dependendo da variante linguística de que se vale o falante em sua enunciação.
III. A frase — NÃO. É O WILSON. — manteria o sentido com a omissão do ponto após o advérbio não.
Está correto o que se a  rma em
A) I, apenas.
B) III, apenas.
C) I e II, apenas.
D) II e III, apenas.
E) I, II e III.

8- INSPER
Na edição 2177, de 11/08/2010, a revista Veja publicou a reportagem Falar e escrever bem: rumo à vitória,com dicas para não “tropeçar” no idioma durante uma entrevista de emprego.


Identifique a alternativa que apresenta uma explicação INADEQUADA para a correção feita.
a) Houve algumas dificuldades: o verbo “haver”, no sentido de “existir” é impessoal e não admite flexão.
b) O chefe bloqueou meu último pagamento: deve-se empregar um sinônimo, pois o verbo “reter” é defectivo.
c) Seguem anexos dois trabalhos: é preciso estar atento à concordância verbal e nominal.
d) Já faz cinco anos: quando indica tempo decorrido, o verbo “fazer” deve permanecer no singular.
e) Se eu dispuser de uma boa equipe: o verbo “dispor” deve seguir a conjugação do verbo “pôr”.


9- UNICAMP 2011


a) Nessa tira de Laerte a graça é produzida por um deslizamento de sentido. Qual é ele?
b) Descreva esse deslizamento quadro a quadro, mostrando a relação das imagens com o que é dito.

10- INSPER 2012
Leia a charge.


No contexto apresentado, o personagem expressa-se informalmente. Se sua frase fosse proferida em norma padrão da língua, assumiria a seguinte redação:
A) Fazemos o seguinte: a gente ressuscita o Bin Laden e lhe matamos de novo.
B) A gente faz o seguinte: ressuscita o Bin Laden e lhe mata de novo.
C) Nós faremos o seguinte: ressuscitamos o Bin Laden e matamos ele de novo.
D) Façamos o seguinte: a gente ressuscitamos o Bin Laden e matamos de novo.
E) Façamos o seguinte: nós ressuscitamos o Bin Laden e o matamos de novo.

11- INSPER 2011



Levando em conta as informações do primeiro quadrinho, identifique a alternativa que apresenta a palavra
que também sofreu alterações na acentuação gráfica devido à regra mencionada.
a) plateia
b) heroico
c) gratuito
d) baiuca
e) caiu

12- UNICAMP




Nessa propaganda do dicionário Aurélio, a expressão “bom pra burro” é polissêmica, e remete a uma representação de dicionário.
a) Qual é essa representação? Ela é adequada ou inadequada? Justifique.
b) Explique como o uso da expressão “bom pra burro” produz humor nessa propaganda.
13- INSPER 2008

Levando-se em conta o emprego da crase no trecho “…não obedecia à minha mãe”, no último quadrinho da tirinha a seguir, é lingüisticamente adequado afirmar que ela é
a) necessária, pois nela ocorre a fusão de preposição “a” com pronome demonstrativo “a” e está diante de palavra feminina.
b) inadequada, uma vez que o verbo “obedecer” é transitivo direto e não admite preposição.
c) facultativa, pois, embora complete um verbo transitivo indireto, com preposição obrigatória, está diante de um pronome possessivo feminino.
d) obrigatória, por conter a junção da preposição “a” com artigo feminino “a” anteposta a um pronome.
e) incorreta, porque, independentemente do fato de ocorrer a fusão de preposição com artigo, nunca ocorre crase diante de pronomes.

14- UNIFESP
Texto I
Texto 2
Quando saltaram em terra começou a Maria a sentir certos enojos: foram os dois morar juntos: e daí a um mês manifestaram-se claramente os efeitos da pisadela e do beliscão; sete meses depois teve a Maria um filho (...) E este nascimento é certamente de tudo o que temos dito o que mais nos interessa, porque o menino de quem falamos é o herói desta história. (Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um Sargento de Milícias.)
01- Com base nas informações do texto 1, é correto afirmar que Leonardo
A) acreditava que a vida no Brasil poderia ser tão interessante quanto a de Portugal.
B) saiu de Portugal em companhia de sua namorada, Maria da Hortaliça.
C) buscava um ofício lucrativo e agradável no Brasil, como o que tinha em Portugal.
D) veio ao Brasil em razão de seu enfado com a vida que levava em Portugal.
E) via o Brasil como um lugar de raras chances de êxito pessoal.



15- UNICAMP 2ª FASE
É sabido que as histórias de Chico Bento são situadas no universo rural brasileiro.
a) Explique o recurso utilizado para caracterizar o modo de falar das personagens na tira.
 b) É possível afirmar que esse modo de falar caracterizado na tira é exclusivo do universo rural brasileiro? Justifique.

16. Unifesp 2008
Considere o texto e analise as três afirmações seguintes.



I. A frase Toda criança deve ser assistida quanto ao seu direito à atenção e ao carinho dos adultos está correta quanto aos sentidos propostos no texto e também quanto à regência.
II. Deve-se interpretar a referência do pronome você como criança, conforme sugerido pelo título do texto.
III. As duas orações que compõem as perguntas estabelecem entre si relação de adversidade.
Está correto apenas o que se afirma em
A) I.                                         D) I e II.
B) II.                                        E) II e III.
C) III.

17- GV 2011
Analise a tira.
Elas já querem mais festa
(Luís Fernando Veríssimo. As cobras do Veríssimo,
23.02.2007. Adaptado.)
Observe a função sintática da expressão “o carnaval”, no primeiro quadrinho, e de “adiamentos”, no segundo.
As palavras grifadas desempenham essas mesmas funções sintáticas, respectivamente, em:
A) Não temos mais desculpas. / Quando é a Páscoa?
B) Vamos enfrentar a realidade. / Não temos mais desculpas.
C) Vamos festejar a Páscoa. / Basta de preocupações.
D) Chega de reclamações. / Quando é o Carnaval?
E) Aproxima-se o Natal. / Basta de reclamações.

19- 
Considere a charge


Analisando a charge, é correto afirmar que
I. A troca de uma letra e, consequentemente, de um fonema, é responsável por parte do efeito de humor do texto.
II. Em “Refém Casados”, há erro de concordância.
III. Supondo que duas pessoas tivessem seus direitos políticos suspensos, uma charge que pretendesse aproveitar a frase do vidro do veículo não alteraria a primeira palavra e sim a segunda, que seria grafada da seguinte forma: caçados.
IV. No contexto, não é possível depreender a referência do pronome este em neste estado.
Está correto apenas o que se afirma em
A) I e II.                                         D) I, II e III.
B) II e III.                                       E) II, III e IV.
C) III e IV.
21- UNICAMP 2010
Nessa propaganda, há uma interessante articulação entre palavras e imagens.

a) Explique como as imagens ajudam a estabelecer as
relações metafóricas no enunciado “Mesmo que o
globo fosse quadrado, O GLOBO seria avançado”.
b) Indique uma característica atribuída pela propaganda ao produto anunciado. Justifique

22- FUVEST 2009

23) Corrija os pronomes da tirinha abaixo e justifique sua resposta:

http://fatimalp.blogspot.com.br/2012/03/charges-no-vestibular.html

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Manoel Wenceslau Leite de Barros (Cuiabá, 19 de dezembro de 1916) é o mais aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários. Recebeu vários prêmios literários, entre eles, dois Prêmios Jabutis. Enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou o epíteto de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel de Barros. 


 De acordo com o site da Fundação Manoel de Barros , um instituto de apoio à cultura e de assistência social batizado em sua homenagem, Barros adota uma temática regionalista e inspirada na natureza, “indo além do valor documental para fixar-se no mundo mágico das coisas banais retiradas do cotidiano”. 


 Manoel de Barros 
Conheci Manoel de Barros em algum programa da TV Cultura. Fiquei fantasiada com tamanha criatividade com as palavras. Ao ler “Memórias Inventadas – As Infâncias de Manoel de Barros” me senti uma menina grande que não tinha aprendido nada sobre o que as palavras poderiam dizer, ou ser. “Tudo que não invento é falso”. Com esse paradoxo, Manoel de Barros inicia este livro que são fragmentos de lembranças livres em um tempo aparentemente invisível. 


Cada trecho é diagramado em páginas soltas e podem ser lidos em qualquer ordem, sem nenhum tipo de linearidade. Afinal, a imaginação do autor não possui regras determinadas. 
Manoel de Barros busca a essência existente por trás da palavra. Para ele, mais do que o significado literal, as palavras têm o poder de simplesmente encantar, sem a necessidade de possuir uma função definida, assim ele faz um criançamento das palavras. As palavras, nas memórias inventadas, voam livres sem obedecer a regras. 
Livro distribuído gratuitamente nas escolas públicas !!!


 Ótimo Trecho do Livro


 “Um Olhar Eu tive uma namorada que via errado. O que ela via não era uma garça na beira do rio. o que ela via era um rio na beira de uma garça. Ela despraticava as normas. Dizia que seu avesso era mais visível do que um poste. Com ela as coisas tinham que mudar de comportamento. Aliás, a moça me contou uma vez que tinha encontros diários com as suas contradições. Acho que essa frequência nos desencontros ajudava o seu ver oblíquo.”
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Memórias inventadas: a segunda infância, de Manoel de Barros




























Dezessete textos compõem esta obra de Manoel de Barros, 
Memórias inventadas: a segunda infância, que une a poesia do mato-grossense com ilustrações de sua filha, Martha Barros. 
 

Tudo que não invento é falso”. Com esse paradoxo, Manoel de Barros inicia este livro que são fragmentos de lembranças livres em um tempo aparentemente invisível. Cada trecho é diagramado em páginas soltas e podem ser lidos em qualquer ordem, sem nenhum tipo de linearidade. Afinal, a imaginação do autor não possui regras determinadas.

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Conforme se passeia pelas páginas, percebe-se o tom poético de Manoel. O autor se preocupa com cada palavra, esculpindo um texto que tem como preocupação primordial a busca pela beleza.  

Na introdução do livro, intitulada “Manoel por Manoel”, o escritor diz ter saudade do que não foi. Diz, ainda, que não teve uma infância peralta como gostaria. Agora, brinca livremente com as palavras e acredita que “desfazer o normal, há de ser uma norma”.

Manoel de Barros busca a essência existente por trás da palavra. Para ele, mais do que o significado literal, as palavras têm o poder de simplesmente encantar, sem a necessidade de possuir uma função definida. O indizível, aqui, é mais valorizado que uma frase que informa sem emocionar. As palavras, nas memórias inventadas, voam livres sem obedecer a regras que, por fim, podem assassinar seu encanto.

Apesar de valorizar e celebrar o abstrato, Manoel de Barros demonstra consciência e opinião clara sobre atitudes que compõem a realidade. “Eu não sei nada sobre as grandes coisas do mundo, mas sobre as pequenas eu sei menos”, afirma no texto “Desprezado”.

Já em “Sobre importâncias”, o autor relativiza o valor das coisas. Para Manoel, a importância só pode ser medida pelo encantamento que ela produz em cada pessoa. Como um grande empresário poderia concordar com a afirmação “Uma boneca de trapos que abre e fecha os olhinhos azuis nas mãos de uma criança é mais importante para ela do que o Empire State Building”? Manoel de Barros corre na contramão de quem pensa no prazer de possuir e esquece o encanto das coisas simples. As palavras em desordem, dessa forma, ajudam o leitor a perceber que, na realidade, a imaginação é a coisa menos falsa que o homem já inventou.

Com leveza, inocência e simplicidade, o autor tece suas memórias infantis, sem mostrar a angústia de “bons tempos aqueles, hein?!”; ao contrário, parece ter prazer no que faz. E prazer tem o leitor, ao encontrar lá relatos/lembranças da empregada que o ensinou-lhe o sexo aos quinze anos; ou a lacraia descarrilada (meninos separaram os “gomos” de uma lacraia, como se se tratasse de um trem); ou de quando o léxico de um menino não tem mais que oito palavras.

Embora seja “prosa”, esse livro de Manoel de Barros traz momentos de pura poesia como a tentativa de desenhar uma manhã e cometer um desenho erótico, com a manhã de pernas abertas para o sol; ou nos trechos (a seguir, entre aspas, transcritos diretamente da obra): “eu não sei nada sobre as grandes coisas do mundo, mas sobre as pequenas eu sei menos”; “os verbos servem para emendar os nomes [...] bentevi cuspiu no chão. O verbo cuspiu emendava o bentevi com o chão”; “que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós”.

Mais que prosa, poesia, música ou qualquer outro rótulo que se possa aplicar ao trabalho de Manoel de Barros, está neste livro a linguagem perfeita, mesmo que não tenha sido esta sua intenção. No livro: “quisera uma linguagem que obedecesse a desordem das falas infantis do que as ordens gramaticais [...] desfazer o normal há de ser uma norma”.

Trecho do livro

"Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era encher o tempo. Nossa data maior era o quando. O quando mandava em nós. A gente era o que quisesse ser só usando esse advérbio. Assim, por exemplo: tem hora que eu sou quando uma árvore e podia apreciar melhor os passarinhos. Ou tem hora que eu sou quando uma pedra. E sendo uma pedra eu posso conviver com os lagartos e os musgos. Assim: tem hora eu sou quando um rio. E as garças me beijam e me abençoam. Essa era uma teoria que a gente inventava nas tardes. Hoje eu estou quando infante. Eu resolvi voltar quando infante por um gosto de voltar. Como quem aprecia de ir às origens de uma coisa ou de um ser. Então agora eu estou quando infante. Agora nossos irmãos, nosso pai, nossa mãe e todos moramos no rancho de palha perto de uma aguada. O rancho não tinha frente nem fundo. O mato chegava perto, quase roçava nas palhas. A mãe cozinhava, lavava e costurava para nós." Fontes: A Folha de Londrina | Faculdade Cásper Líbero 
http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/m/memorias_inventadas_a_2_infancia



















RESENHA ACERCA DO LIVRO DE AMÓS OZ, REPENTE, NAS PROFUNDEZAS DO BOSQUE










Sobre preconceito e intolerância

Por Claudio Rodrigues especial para a biblioo
Começo pelo fim. O último parágrafo de De repente, nas profundezas do bosque, do israelense Amós Oz, é também uma única palavra: Amanhã. Ou seja, o fim da história não existe; o que existe é o fim do livro. O autor nos projeta, desse modo, para o que há de vir, o devir. E nos convida a refletir questões muito caras à vida em sociedade, como a intolerância para com o diferente.
O conto ou novela é apresentado pelo autor como uma fábula para todas as idades, embora aqui no Brasil a editora o tenha colocado na prateleira dos juvenis. Uma fábula é um gênero textual que, embora muito apreciado pelas crianças, tem sua origem na tradição oral com o objetivo de transmitir uma moral aos jovens. Era por meio das fábulas que os anciãos depositavam nos jovens das aldeias todo o seu ensinamento sobre moral, ética, justiça… uma forma carinhosa de dizer: “Ei, preste atenção no que você fez!”, “Olha, você agiu desse modo e isso significa…”. O tempo das fábulas é o passado definido como o tempo em que os animais falavam. Eles, os bichos, são os protagonistas dessas narrativas, agindo e pensando como os humanos. Para ser fábula, portanto, é necessária a presença dos bichos. E é imprescindível a apresentação de uma lição de moral.
Amós Oz elabora uma singela narrativa em que conta o insólito cotidiano de uma aldeia cujos moradores vivem uma maldição. Ali não há um bicho sequer: aves, peixes, bichos de estimação, vermes, insetos… todos se foram há muito tempo, para longe, nas montanhas, levados pelo demônio Nahim. As crianças da aldeia nunca viram um animal, só sabem que eles existem pelos desenhos que a professora Emanuela (sempre os professores) lhes apresenta; ou por conversas entrecortadas que ouvem aqui e acolá entre os adultos. Falar em bichos é trazer para os moradores a lembrança da maldição. E ninguém, absolutamente ninguém, se aventura a entrar na densa floresta para averiguar qualquer coisa. Ninguém, absolutamente ninguém, pode perguntar sobre o que aconteceu. Até que ponto é justo e honesto não dar explicações sobre o que de fato aconteceu? Até que ponto esconder o fato é poupar as crianças?

O insólito apresenta-se numa linguagem delicada e poética

A linguagem delicada de Amós Oz, com suas minuciosas e poéticas descrições de lugares e personagens, parece uma pintura, uma insólita pintura: “Das profundezas dos bosques, do coração dos bosques emaranhados que cercavam a aldeia por todos os lados, de manhã até a noite soprava um cheiro estranho de escuridão. E até mesmo nos meses de verão chegava dos bosques um tipo de penumbra de inverso. E o rio, efervescente, borbulhante, se contorcia entre os pátios e se arrastava até o vale, correndo furioso no declive com uma espuma branca nas suas margens, como se corresse com toda a força para fugir para bem longe, e mesmo assim ele se detinha por um momento para amaldiçoar em seu curso toda a aldeia” (p. 38). A força dessa descrição, em que os elementos da natureza são personificados e também emanam a maldição, revela o tom sombrio da fábula.
Três crianças resolvem tirar a história a limpo. Uma delas, o menino Nimi, é malvisto na escola e no vilarejo por ser diferente, e também porque acredita no que a professora diz. Os outros dois amigos, a menina Maia e o menino Mati, guardam um segredo que pode mudar tudo na aldeia. Alguns adultos mantêm um comportamento estranho aos olhos da aldeia: a mãe de Maia, a padeira viúva, tem o hábito de espalhar farelo de pão no rio e ao pé das árvores para aves que nunca vêm comer; ou o velho Guinom, que anda carregado num carro de bebê, de fraldas, e balindo feito um cabrito; ou Almon, o pescador, que tem saudade até do barulho dos cupins roendo a noite, conversa sozinho ou com o espantalho que não espanta pássaro nenhum.

Investigando outros aspectos além da narrativa

Como um detetive, gosto de investigar o livro além da narrativa. Faço isso sempre que pego um novo livro. Olhar a capa e quarta páginas, me deliciando com o projeto gráfico, é a primeira coisa que faço. Depois, observo a orelha, quando o livro a tem. Este de Oz não tem orelhas. Observo o verso da página de rosto que me informa coisas como quem ilustrou a capa, quem diagramou, quem traduziu, etc. É aí que observo uma mensagem, aparentemente inocente: “Os personagens e as situações desta obra são reais apenas no universo da ficção; não se referem a pessoas e fatos concretos, e sobre eles não emitem opinião”. Ora, se o autor denominou seu texto de fábula, por que a necessidade dessa advertência? E aqui surge o paradoxo: ser real apenas no universo da ficção, que é fingimento. Não são pessoas de carne e osso e sim de papel e tinta que nos falam aí. E nos falam, no seu silêncio. E nos instigam, na sua não-realidade. E nos confrontam quando nos colocam a par dos seus medos, das suas incertezas. E nos fazem correr os olhos a nossa volta para ver melhor se também nós não estamos omissos pelos erros dos outros.
Amós Oz, o autor israelense mais conhecido da atualidade, sabe como ninguém retratar as questões conflitantes da humanidade. Professor de literatura em Israel, publicou mais de 18 livros, a maioria de ficção, sendo traduzido para inúmeras línguas. Nascido num campo de refugiados, e tendo enfrentado o preconceito anti-semita, o autor faz de sua ficção um convite à reflexão sobre o quanto somos diferentes culturalmente, e iguais humanamente.
A última palavra dessa fábula moderna é “amanhã”. Um amanhã que tem ânsia de ser futuro, mas futuro bem próximo.

De repente, nas profundezas do bosque, Amós Oz
A FÁBULA COMO ARMA




Num mundo de hoje, ainda cabe fábula para adulto. Em De repente, nas profundezas do bosque, do escritor israelense Amós Oz (1939-), percebe-se, pela linguagem, que o pequeno livro mostra um autor preocupado com a forma. O que distingue logo esta fábula de outras para crianças é a escritura. O livro não faz concessões à linguagem tatibitate de outros livros infantis.
Escrito de forma vigorosa, em que palavras se repetem de maneira variada em frases longas, Oz trabalha tanto com o imaginário infantil quanto com o imaginário adulto. Talvez fosse melhor dizer que opera com o mesmo imaginário ancestral e arquetípico. E as preocupações do autor, oriundo de uma zona em permanente conflito como é o Oriente Médio, não podem se dar ao luxo de não serem interpretadas como discussão sobre o problema palestino.
De repente, nas profundezas do bosque conta a história do desaparecimento de todos os bichos da aldeia: cachorros, gatos, pássaros, cobras, lagartos, bichos rastejantes, bichos voadores, bichos domésticos, bichos de cria, bichos da água, tudo havia desaparecido. Os bichos foram levados por aquele que as pessoas da aldeia acreditavam fosse o demônio das montanhas: Nihi.
Ninguém mostrava às crianças que eles um dia pudessem ter existido. As crianças supunham que o mundo era composto apenas de seres humanos e que as possíveis histórias de bichos eram invenção de uns poucos adultos perturbados da cabeça. Alguns, como a professora Emanuela, que contava histórias sobre como latiam os cachorros, eram motivo de chacota e desprezo. Os adultos, quando inquiridos pelas crianças, tratavam do desaparecimento dos animais como tabu. Desconversavam, negavam, não queriam falar sobre o assunto.
Mas, dois personagens infantis, Maia e Mati, adentram o bosque vizinho, e lá descobrem que os animais foram seqüestrados por Nihi, que não passa de um menino que resgatou os animais contra a fúria e a zombaria dos adultos. De repente, nas profundezas do bosque é uma fábula contra o preconceito e a intolerância. O alvo maior é o entendimento e a aceitação do Outro. A passagem em que as metáforas perdem sua força e dão lugar às explicações para o significado da fábula talvez seja o momento do livro menos forte, já que a fábula significaria por si mesma, sem necessidade de uma “moral” ao fim do livro.
Amós Oz, que declarou ter tido a ajuda dos netos ao contar-lhe a fábula antes de escrevê-la, é um escritor israelense que luta por uma solução pacífica ao problema palestino. Uma solução, como ele mesmo declarou numa entrevista, “de fundo chekhoviana para o conflito, antes que uma solução shakesperiana, pois nas tragédias de Shakespeare quase todos morrem, enquanto nas tragédias de Chekhov, todos acabam desapontados, desiludidos, mas vivos”.
Autor de literatura para adultos, talvez o principal escritor israelense vivo, traduzido para trinta idiomas, com dezoito livros escritos, Amós Oz é o co-fundador do movimento pacifista Peace Now. Esse escritor que também é professor da Universidade Ben Gurion, morando em Arad, no deserto de Negev, já chegou a dizer, num dos seus livros (De amor e trevas), que, quando criança, tinha medo de ficar adulto, pois para ele ficar adulto representava a morte. Com todo esse passado e toda essa moldura política, Amós Oz não precisava explicar suas metáforas, já por si significativas. Lewis Carroll, por exemplo, autor de dois públicos, o infantil e o adulto, não fez concessão nem à inteligência das crianças nem à argúcia dos leitores adultos.
Por fim, há uma clara divisão entre o reino animal e os humanos. As pessoas, sem os animais, se tornam tristes e desoladas e negam a existência deles para as gerações posteriores. Apesar de tudo, persiste uma lembrança de um reino de complementariedade: os animais como parte de um complexo maior que é a vida. Lida como fábula ecológica – o que não exclui a leitura política –, De repente, nas profundezas do bosque é a metáfora maior do reino animal do qual o homem é somente mais um elemento. Logo, excluir os animais é correr o risco da extinção do próprio homem.
(http://ronaldocostafernandes.blogspot.com.br/2011/07/de-repente-nas-profundezas-do-bosque.html)



FINALIZANDO...



A postura dos moradores do vilarejo em relação aos acontecimentos aparentemente estranhos, fez com que eles desenvolvessem medo e receio do novo, e quisessem distância como uma forma de autopreservação ou também medo de que pudesse acontecer mudanças, que não estavam preparados para lidar.
Para convencer a população do vilarejo, eu diria que o diferente não é ruim,pode ser bom e quem define o que é certo? Nada é certo,pois para nós certo é o que nos convém e nos agrada por isso ser diferentes é que é ser certo.

sexta-feira, 27 de abril de 2012


ALUNOS DA 8ª SÉRIE C SE EXPRESSAM VIA RESENHAS

Atividade a seguir nasceu da proposta


"BEST-SELLER ADOLESCENTE"
ehttp://educarparacrescer.abril.com.br/best-sellers/index,shtml
Querido Diário Otário 1-  É melhor fingir que isso nunca aconteceu.

Escrito pelo norte americano Jim Benton, com uma série de oito livros, quis trazer ao público de 8 a 10 anos de idade pois que eles se identificam com o livro  “Querido Diário Otário 1”, e percebam também que eles não são os únicos que passam por alguns problemas com sua "inimiga" e seu "Paquerinha", já que, nessa idade, muitas crianças ainda não sabem o que está acontecendo com elas mesmos e se sentem inseguras e com medo de contar com seus pais.
  O livro me parece interessante e engraçado ,pois ainda não o li, mas tenho curiosidade de ler um dia. O livro, certamente, fala de uma menina que não gosta de escrever, mas que não consegue se abrir com seus pais e não consegue conta com a ajuda de seus amigos e é ai que ela acaba se expressando em um diário e isso acaba estimulando ela a escrever e expressar suas ideias, pensamentos e sentimentos .
  Jamie é a personagem principal do livro, pois foi nela que o livro foi inspirado, trazendo assim humor, inocência e as confusões de sua personagem. Tenho vontade de saber como que ela lida com a situação, já que Jamie tem dificuldades de se expressar e sendo assim muito atrapalhada, e o que acontece com a Angelina sua inimiga número 1, pois elas podem até virar amigas no final de tudo e se Lucas descobre que Jamie gosta dele. (Natália Celestino Salgado 8-Série C João Cruz/2012)