sábado, 20 de fevereiro de 2010

RECADOS PARA O PRIMEIRO ANO E ENSINO MÉDIO 2010

Nos conhecendo melhor...




Como contar a sua própria vida

Objetivos

1) Reconhecer características gerais do gênero e, em particular, reconhecimento dos recursos linguísticos e estéticos presentes em uma autobiografia.

2) Manejar s verbos no presente e nos pretéritos perfeito (em 1a. e 3a. p. singular) e imperfeito do modo indicativo.

3) Compor texto autobiográfico.

Se biografia é a história da vida de alguém (já que bio é vida e grafia é texto, escrita), o que você imagina ser autobiografia? O prefixo auto quer dizer "a sim mesmo", logo o termo se refere à história da própria vida. Leia a apresentação que faz de si mesmo o escritor de livros infantis Bartolomeu Campos Queiroz:



...das saudades que não tenho



Nasci com 57 anos. Meu pai me legou seus 34, vividos com duvidosos amores, desejos escondidos. Minha mãe me destinou seus 23, marcados com traições e perdas. Assim, somados, o que herdei foi a capacidade de associar amor ao sofrimento...

Morava numa cidade pequena do interior de Minas, enfeitada de rezas, procissões, novenas e pecados. Cidade com sabor de laranja-serra-d’água, onde minha solidão já pressentida era tomada pelo vigário, professora, padrinho, beata, como exemplo de perfeição.

(...) Meu pai não passeou comigo montado em seus ombros, nem minha mãe cantou cantigas de ninar para me trazer o sono. Mesmo nascendo com 57 anos estava aos 60 obrigado ainda a ser criança. E ser menino era honrar pai com seus amores ocultos. Gostar da mãe e seus suspiros de desventuras.

(...) Tive uma educação primorosa. Minha primeira cartilha foi o olhar do meu pai, que me autorizava a comer ou não mais um doce nas festas de aniversário. Comer com a boca fechada, é claro, para ficar mais bonito e meu pai receber elogios pelo filho contido que ele tinha. E cada dia eu era visto como a mais exemplar das crianças, naquela cidade onde a liberdade nunca tinha aberto as asas sobre nós.

Mas a originalidade de minha mãe ninguém poderá desconhecer. Ela era capaz de dizer coisas que nenhuma mãe do mundo dizia, como por exemplo: – Você, quando crescer vai ter um filho igual a você. Deus há de me atender, para você passar pelo que eu estou passando. – Mãe é uma só. (...)

(Bartolomeu Campos Queiroz, em Abramovich, Fanny (org.) – “O mito da infância feliz”. Summus, São Paulo, 1983).



A autobiografia de Bartolomeu Campos Queirós é marcada por uma certa tristeza e uma forte crítica tanto à educação dos pais, quanto aos costumes da cidadezinha onde nasceu. Dessa forma, ele rompe com a idéia de que criança é sempre feliz por ser inocente e não perceber os problemas da vida.

O escritor dá a entender que todos nascemos velhos, porque somos parte de vidas já vividas pelos pais e até mesmo pela sociedade - simbolizada em seu texto pela cidadezinha em que nasceu.

Também vale notar a referência irônica ao célebre poema "Meus oito anos", de Casimiro de Abreu ("Oh! que saudades que tenho/ da aurora da minha vida...)

Na biografia, a seleção dos eventos a serem apresentados é definida pelos outros, por isso, a objetividade é mais evidente que na autobiografia, em que a pessoa escolhe o que vai escrever sobre ela mesma.

Outra característica tanto da biografia quanto da biografia é a veracidade dos fatos. Costumam ser narrativas não-ficcionais, ou seja, não são histórias "inventadas". O relato dos fatos no texto autobiográfico aparece freqüentemente pontuado de lembranças, de um colorido emocional, que não é mostrado em outros tipos de textos. Predomina a subjetividade.

Compare a autobiografia reproduzida acima com a biografia de Carlos Drummond de Andrade. O que se pode concluir sobre a presença escolha dos pronomes: na biografia predomina o uso da terceira pessoa (ele), enquanto na autobiografia predomina o uso da primeira pessoa (eu). Esses usos relacionam-se à maior ou menor objetividade.



Autobiografia e sátira

Falar de si mesmo é sempre difícil... Nada como uma boa dose de bom humor para olhar para si próprio, não é mesmo? Leia como alguns autores tratam de suas biografias de forma bem-humorada.



Aí eu peguei e nasci!

Sou filho de árabe com loira e deu macaco na cabeça. E eu não tenho 56 anos. Eu tenho 18 anos. Com 38 de experiência. E eu era um menino asmático que ficava lendo Proust e ouvindo programa de terror no rádio.

Em 69 entrei pra Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Mas eu matava aula com o namorado da Wanderléa pra ir assistir o programa de rádio do Erasmo Carlos. E aí eu desisti. Senhor Juiz, Pare Agora!

E aí eu fui pra swinging London, usava calça boca de sino, cabelo comprido e assisti ao show dos Rolling Stones no Hyde Park. E fazia alguns bicos pra BBC.

Voltei. Auge do tropicalismo. Freqüentava as Dunas da Gal em Ipanema. Passei dois anos batendo palma pro pôr-do-sol e assistindo o show da Gal toda noite. E depois diz que hippie não faz nada! (...)

José Simão Biografia


Perceba como José Simão, ao usar linguagem coloquial, expressões populares e gírias, se aproxima do leitor de jornal e da Internet ao escrever um texto descontraído e cheio de humor: "Aí eu peguei", "deu macaco na cabeça", "matava aula", "alguns bicos pra BBC", etc.

Ao escolher "fatos não nobres" de sua autobiografia, José Simão torna seu texto mais engraçado e carregado de ironia - uma boa maneira de fazer humor.

Leia a seguir a autobiografia de mais um humorista - Millôr Fernandes, um dos fundadores do famoso jornal alternativo, dos anos 60 e 70, "O Pasquim":


SUPERMERCADO MILLÔR -- ANO I - N.º 1


(Autobiografia De Mim Mesmo À Maneira De Mim Próprio)

"E lá vou eu de novo, sem freio nem pára-quedas. Saiam da frente, ou debaixo que, se não estou radioativo, muito menos estou radiopassivo. Quando me sentei para escrever vinha tão cheio de idéias que só me saíam gêmeas as palavras – reco-reco, tatibitate, ronronar, coré-coré, tom-tom, rema-rema, tintim-por-tintim. Fui obrigado a tomar uma pílula anticoncepcional. Agora estou bem, já não dói nada. Quem é que sou eu? Ah, que posso dizer? Como me espanta! Já não fazem Millôres como antigamente! Nasci pequeno e cresci aos poucos. Primeiro me fizeram os meios e, depois, as pontas. Só muito tarde cheguei aos extremos. Cabeça, tronco e membros, eis tudo. E não me revolto. Fiz três revoluções, todas perdidas. A primeira contra Deus, e ele me venceu com um sórdido milagre. A segunda com o destino, e ele me bateu, deixando-me só com seu pior enredo. A terceira contra mim mesmo, e a mim me consumi, e vim parar aqui.” Millôr Fernandes)



1) Releia o título "Supermercado Millôr" e o subtítulo "Autobiografia de Mim Mesmo à maneira de Mim Próprio" e analise que relação pode haver entre uma autobiografia e a idéia de produto a ser vendido, como mercadoria, num supermercado.



2) Relembrando que pleonasmo é uma forma de se usar a mesma idéia de forma repetitiva e desnecessária - lembre-se dos famosos pleonasmos "subir para cima", "descer para baixo", "entrar para dentro" e "sair para fora", que, segundo a gramática, devem ser evitados.- procure, então, explicar os pleonasmos usados no subtítulo, por Millôr, confirmando a abordagem satírica de sua biografia.



3) Millôr elabora sua biografia, de forma irônica e crítica, ao usar:

• contradições/paradoxos;

• chavões ou frases feitas, recriando-os;

• criação de novas palavras, com fina ironia.



NOTA: Enfim, muitas vezes, o gênero biografia pode ser uma boa desculpa para um escritor fazer crítica social ou mesmo brincar consigo mesmo e com a própria humanidade.

Recursos lingüísticos e estéticos valorizam o relato


Na autobiografia, você é o autor do texto e protagonista da história. Vale a pena ter em mente e, conseqüentemente, na ponta do lápis, que ao escrever a sua autobiografia, você poderá contar com recursos lingüísticos e estéticos a fim de valorizá-la.


Recriando a sua imagem na autobiografia

Um bom texto será aquele que pretenda não somente recontar os eventos sucedidos ao longo da vida, mas também recriar sua imagem (como você é/era/foi) perante o leitor.

Para ilustrar essa característica, leia as autobiografias a seguir e trate de observar como os autores se descrevem e se apresentam ao leitor:


Texto n° 1: Sou alegre e uma pessoa querendo viver mt. Sou sincera qd vejo que não estou agradando eu simplesmente caio fora, se não gosta de mim não precisa me aturar nem por educação. Sou romantica, sou furiosa umm... Amo minha familia e não sei viver sem eles. Amo meu Pequeno a minha luz. Amo escrever meus poemas é atravez deles que ponho minhas emoções. Amo meus amigos. E amo fazer amizades. Para vc saber mesmo quem sou só me conhecendo(http://ilianoronha24chocolicia.blogspot.com/)


Texto n° 2: POEMA AUTOBIOGRÁFICO

Quando eu nasci,

Meu pai batia sola,

Minha mana pisava milho no pilão,

Para o angu das manhãs...

Portanto eu venho da massa,

Eu sou um trabalhador...

Ouvi o ritmo das máquinas,

E o borbulhar das caldeiras...

Obedeci ao chamado das sirenes...

Morei num mucambo do ""Bode"",

E hoje moro num barraco na Saúde...

Não mudei nada...(Solano Trindade )


Texto n° 3: O auto-retrato


No retrato que me faço

- traço a traço -

às vezes me pinto nuvem,

às vezes me pinto árvore...

às vezes me pinto coisas

de que nem há mais lembrança...

ou coisas que não existem

mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco

- pouco a pouco -

minha eterna semelhança,

no final, que restará?

Um desenho de criança...

Terminado por um louco! (Mário Quintana)


Vamos entender um pouco...

No poema “O auto-retrato” de Mário Quintana, observa-se uma relação intrínseca entre a obra e o autor. O Poeta constrói o poema discutindo dois atos: o ato de criação da obra e o ato de se construir enquanto pessoa. O título do poema mostra a necessidade do Poeta em se auto-retratar para o outro. O uso de pronomes possessivos durante todo o poema destaca o caráter intimista da criação poética. Com o uso de advérbios expressando dúvida e a relação temporal criada entre o verbo existir, o Poeta vai construindo sua própria imagem para o leitor. Ao opor figuras como a criança e o louco, o Poeta busca afirmar a dificuldade inerente ao ato de se descobrir enquanto pessoa e poeta. Criador e criação se misturam dentro do poema.


Texto n° 4: SOU NEGRO


“Sou Negro

meus avós foram queimados

pelo sol da África

minh’alma recebeu o batismo dos tambores

atabaques, gonguês e agogôs.

Contaram-me que meus avós

Vieram de Loanda

Como mercadoria de baixo preço

Plantaram cana pro senhor do engenho novo

E fundaram o primeiro Maracatu.

Depois meu avô brigou como um danado

nas terras de Zumbi

Era valente como quê

Na capoeira ou na faca

escreveu não leu

o pau comeu

Não foi um pai João

humilde e manso.

Mesmo vovó

não foi de brincadeira

Na guerra dos Malés

ela se destacou.

Na minh’alma ficou

o samba

o batuque

o bamboleio

e o desejo de libertação.”

(O poeta do povo, p.48)


É relevante observar que a poesia desse autor não se volta somente para a cultura do povo de forma mais abrangente, mas se dedica de maneira muito especial, e até mesmo militante, à cultura afro-brasileira. O poeta fala de dentro dessa cultura, ou seja, o eu lírico é um eu que se quer e se vê negro. Solano Trindade mostra suas raízes negras e dá um grito negro que revela uma visão diferente, uma visão do Outro:


Texto n° 5: Auto-retrato


Provinciano que nunca soube

Escolher bem uma gravata;

Pernambucano a quem repugna

A faca do pernambucano;

Poeta ruim que na arte da prosa

Envelheceu na infância da arte,

E até mesmo escrevendo crônicas

Ficou cronista de província;

Arquiteto falhado, músico

Falhado (engoliu um dia

Um piano, mas o teclado

Ficou de fora); sem família,

Religião ou filosofia;

Mal tendo a inquietação de espírito

Que vem do sobrenatural,

E em matéria de profissão

Um tísico profissional.(Manoel Bandeira)


Texto n° 6: Auto-Retrato Falado

Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.

Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.

Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão,

aves, pessoas humildes, árvores e rios.

Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar

entre pedras e lagartos.

Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto

meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou

abençoado a garças.

Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que

fui salvo.

Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.

Os bois me recriam.

Agora eu sou tão ocaso!

Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço

coisas inúteis.

(No meu morrer tem uma dor de árvore. (Manoel de Barros (1916) se firma cada vez mais como um de nossos maiores e melhores poetas. Ênio Silveira, no "O Livro das Ignorãças", Editora Civilização Brasileira - Rio de Janeiro, 1993, pág. 107)

Texto n° 7: Auto - Retrato

Neste auto-retrato que faço

Paço a paço vou mostrando o laço

Que me liga ao abraço

Desta vida que escolhi viver.

Sou dengosa

Sou manhosa

Sou birrenta, barulhenta

Sou o trovão do temporal

Sou a claridade do amanhecer


Amo o amor

Entendo a dor

Sou amante da lua

Sou aliada do sol


Não gosto de chuva

Não gosto de luva

Não gosto de nada

Que impeça a verdade

Mas uma coisa é preciso dizer:

Gosto e muito

De uma boa amizade.



Gosto também de ter esperança

De acreditar no meus semelhante

De ver a vida passar

E aprender com o vento

As lições do tempo.


Esta sou eu

E vivendo eu vou.

Continuo aprendendo

Até a morte chegar

Com a certeza de ter vivido e aprendido

O bastante pra poder doar. (Augusta Schimidt)


Vínculo entre autora e leitor

Notou como o texto estabelece um vínculo entre autora e leitor?

Podemos afirmar que o texto não nos cansa e que a cronologia continua presente, só que de uma forma menos distante e menos numérica, uma vez que somos levados a conhecer o autobiografado e a compartilhar de sua experiência pessoal.

No texto da poetisa, há uma mescla de fatos, emoções e sentimentos que cada acontecimento desencadeou em sua vida. Sugiro que você faça a releitura e trate de identificar tais aspectos.


O compromisso de dizer a verdade

Outro dado curioso é que tanto a biografia como a autobiografia têm o compromisso de dizer a "verdade".

Contudo, se paramos para pensar, quando selecionamos ou omitimos alguma informação sobre os acontecimentos vividos, a "verdade" não será "meia-verdade"? O que você acha?

Por outro lado, é fundamental saber escolhê-las, pois, se formos muito rígidos no afã de informar e apresentar dados cronológicos, o texto ficará muito chato.

Já imaginou se ele fosse todo baseado em "Em 1999, em 2000, em 2001..."?

Na autobiografia acima, a autora vai mencionando os fatos e relacionando-os à sua idade na época, o que torna o texto bem mais leve e interessante. Concorda?


Usando a elipse na autobiografia

Gramaticalmente, a autora faz uso da elipse, recurso pelo qual a palavra está subentendida (ex. años). Tente ser criativo e eletivo, sim, porém, busque o equilíbrio entre os fatos e suas características pessoais.

Inspire-se pelo viés artístico da autora espanhola e conheça outro texto seu igualmente autobiográfico:


Pontos a ter em conta para redigir a autobiografia:


1. Escreve o teu nome e apelidos

2. Antecedentes do teu nascimento: Pais, cidade, contexto em que nasceu, lugar, etc.

3. Quais as razões para os teus pais terem escolhido o teu nome?

4. O que recordas, com agrado e desagrado, da tua vida escolar.

Acreditas que podes alcançar os sonhos e metas que te propuseste? Por quê?

5.Lembras-te de algum professor em especial que te marcou de forma positiva ou negativa? Quem foi esse professor? Porque te marcou?

6.Relação com os teus familiares: pais, irmãos, sobrinhos, etc.

7.Breve resumo da tua vida atual.



Atividades:



1. Vamos falar de nós mesmos????????? Vamos a nossa autobiografia. Não se esqueça de titulá-la. Pode ser em verso ou prosa.

2. Prepare a leitura em classe de texto-autobiográfico.

3. Pesquisa: fazer o levantamento de obras autobiográficas. Selecionar uma delas para ler.

4. Destaque em qual categoria se classifica essa autobiografia lida com base na exposição teórica exposta anteriormente. Justifique.

5. Vá ao site http://images.google.com.br/images?hl=pt-BR&rlz=1R2ADBF_pt-BRBR346&q=poesia+auto-retrato&um=1&ie=UTF-8&ei=rPJ1S4PsLsuVtgfl9pC2Cg&sa=X&oi=image_result_group&ct=title&resnum=1&ved=0CBAQsAQwAA para que possa entrar em contato com diversas possibilidades de autorretrato explorando a linguagem visual.




Como contar a história da vida de alguém

Objetivos:

1. Ler textos Biografia para perceber algumas características típicas do gênero biografia.

2. Manejar tempos verbais presente e pretérito indefinido (reescrita para sistematização da conjugação verbal), a partir das duas biografias apresentadas (onde aparecem os verbos no passado, escrevê-los no presente e vice-versa).

3. Verificar a compreensão da leitura, no qual o professor discute com os alunos questões lexicais, semânticas etc.

4. Compor texto biográfico em versão multimídia (texto + imagens/fotos + trilha sonora, etc.) poetas brasileiros do século XX e XXI (no mínimo dois).

5. Compor texto biográfico de matemáticos (orientação do professor Narita) em versão multimídia (texto + imagens/fotos + trilha sonora, etc.)

6. Apresentar e socializar sua biografia junto aos colegas de classe.


É verdade que Einstein foi um péssimo aluno? Como é, na intimidade, o escritor José Saramago? E Bill Gates, o criador da Microsoft, faz o que em suas horas vagas?

O gênero de texto que conta a história da vida de alguém se chama biografia (bio é vida, e grafia é escrita). É uma mistura entre jornalismo, literatura e história, em que se relata e registra a história da vida de uma pessoa, enfatizando os principais fatos. É um gênero de narrativa não-ficcional. Os fatos podem ser contados em ordem cronológica - isto é, do nascimento à morte, ou por temas (amores, derrotas, traumas etc). Não precisam ser, necessariamente, escritas. Podem ser filmes, peças de teatro etc.

Conhecer a biografia de uma personalidade permite entender um pouco melhor o tempo em que ela viveu, o que a fez ser famosa, como alcançou o sucesso, atos que podem servir de exemplo, coisas que ela fez e que você jamais faria. Também pode ser interessante conhecer sua autobiografia.


Características textuais e lingüísticas

Leia o texto biográfico que segue, que conta um pedaço da vida de um dos maiores poetas brasileiros, Carlos Drummond de Andrade:


Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. Descendente de uma família de fazendeiros em decadência, o poeta estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo (RJ), de onde foi expulso por "insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, o itabirano começou a carreira de escritor como colaborador do “Diário de Minas”, que congregava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.

Devido à insistência familiar para obter um diploma, ele se formou em farmácia na cidade de Ouro Preto, em 1925. Fundou com outros escritores “A Revista”, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas Gerais.

O escritor ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Depois, passou a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954, colaborou como cronista no “Correio da Manhã” e, a partir do início de 1969, no “Jornal do Brasil”.

(...)

Várias obras do poeta foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas. Drummond foi, seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa.

(...)

Alvo de admiração unânime, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro- RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade, fato que o havia deixado extremamente abatido.


Atividades:

1) Veja que a biografia de Drummond é um relato elaborado numa seqüência temporal que entremeia fatos de sua vida e de sua carreira profissional:

a) 1º e 2º parágrafos: origem, estudos e carreira - no serviço público e como escritor. Nesses dois parágrafos, os fatos da biografia são relatados de forma mais neutra.

b) 3º e 4º parágrafos: fatos da vida e obra do poeta, ressaltando sua fama literária. Esses trechos já emitem opinião a respeito do biografado, especialmente pelos usos de:

• enumeração das línguas em que a obra de Drummond foi traduzida, indicando seu papel internacional;

• advérbio "seguramente" através do qual é evidenciado um argumento sobre a importância do poeta;

• adjetivo superlativo: "mais influente". O poeta não é só influente, mas "mais influente", o que intensifica o qualificador;

• adjetivo "unânime" referindo-se ao substantivo "admiração", também com conotação elogiosa ao poeta.


2) Releia a biografia e repare que há várias formas de se referir ao biografado, em substituição a seu nome: "Drummond", "o poeta", "o itabirano", "ele" e verbos com o sujeito oculto. Essas substituições representam um tipo de coesão textual. A fim de evitar a repetição de termo já referido, outras palavras retomam o já dito e vão ajudando a construir o texto, articulando-o.


3) Veja que a expressão "insubordinação mental" como causa da expulsão de Drummond da escola jesuítica, está escrita entre aspas. Qual seria a intenção desse uso? Dado o reconhecimento literário que se deu na vida do poeta, podemos considerar que é uma maneira de marcar de modo irônico a maneira inovadora de pensar do poeta, não é mesmo?


4) Analise agora os verbos usados no texto:

• nasceu, estudou, foi expulso, começou, se formou, fundou, ingressou, transferiu-se, passou a trabalhar, se aposentou, colaborou, foi, morreu.

Veja que predominam verbos de ação, numa determinada sequência, como é próprio de uma biografia, feita de forma tradicional.


Características da biografia

Podem afirmar que na biografia:

• os acontecimentos devem estar ordenados em seqüência temporal, ou seja, do mais antigo para o mais recente;

• deve haver um trabalho prévio de seleção das informações, que possam ser consideradas relevantes para o leitor.

• deve-se evitar julgamentos de valor, expressões adjetivas que indiquem a opinião do autor a respeito das informações que apresenta.

Biografia e crítica social

Mas será que só há biografias de pessoas famosas? Bem, sabemos que a história muda dependendo de quem a conta. Quando a história é contada pelo vencedor, costumam-se enfatizar os positivos para ele. Numa outra perspectiva, entende-se história também como ação de todas as pessoas, na relação entre as diferentes classes sociais.

Leia a seguir a biografia de uma mulher, Carolina Maria de Jesus, que morava numa favela e que escreveu um livro de muito sucesso na década de 1960: "Quarto de despejo".


Cinderela negra - A saga de Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus foi uma figura ímpar. Viveu sozinha, com três filhos – um de cada pai – em uma favela na cidade de São Paulo, desde 1947. Descendente de escravos africanos, nasceu em 1914, em Sacramento, um vilarejo rural no Estado de Minas Gerias e foi à escola apenas até o segundo ano primário. Trabalhou na roça com a mãe, desde muito cedo. Depois, ambas foram empregadas domésticas.

Já em São Paulo, na favela do Canindé, como catadora de papel e mãe de três filhos, escrevia folhas e folhas de histórias reais e imaginadas. Um dia, um jovem jornalista teve acesso a estes escritos e conseguiu ajudá-la a publicar o seu “Quarto de despejo”, em 1960. O sucesso foi imediato. Vendeu o equivalente, naquele ano, a Jorge Amado. Seu livro foi publicado em 13 línguas, em mais de 40 países.

Porém, sua trajetória, até a morte na década de 70, foi incomum e perturbadora. Carolina não se “enquadrou” como escritora famosa. (...). Em pouco tempo, ela foi forçada a voltar à condição de pobre, com dificuldades de sobrevivência. Na miséria viu terminarem seus dias, em 1977.

(adaptado do livro “Cinderela negra - A saga de Carolina Maria de Jesus”, de José Carlos Sebe Bom Meihy e Robert M. Levine, Editora da UERJ, Rio de Janeiro, 1994)


Os autores da biografia de Carolina de Jesus já antecipam ao leitor, pelo título, do que vão tratar:

• há uma comparação entre Carolina e a personagem "Cinderela" do famoso conto de fadas, a partir da idéia de transformação. Assim como Cinderela vivia nas cinzas e foi transformada, por uma fada, numa linda mulher por quem o príncipe se apaixonou, Carolina viveu seus dias de gata borralheira, mas também seu tempo de fama, como escritora;

• o uso da expressão "Cinderela negra" traz uma realidade social brasileira, em geral, permeada de preconceito e racismo;

• o termo "saga" no título já prenuncia a vida heróica de uma mulher do povo, feito Carolina, que venceu muitos obstáculos para sobreviver, quanto mais para viver e ser uma escritora.

BIOGRAFIA

Era um grande nome — ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua... E continuaram a pisar em cima dele.

Mario Quintana (Caderno H)

NOTA: Existem vários tipos de biografias:

• Informativa: é a mais objetiva; o biógrafo se baseia na seleção de fatos e materiais, não fornecendo interpretação subjetiva. A biografia informativa inclui a biografia política (enaltecendo a causa de um candidato político) e a biografia histórica;

• Crítica: propõe-se a avaliar as obras e descortinar a vida do biografado através de meras interpretações das obras ou debruçando-se diretamente sobre os seus escritos;

• Standard: já encerra em si uma visão da biografia enquanto gênero literário e pratica-o enquanto arte;

• Interpretativa: bastante subjetiva, por vezes quase de ficção.

Atividades:

1. Crie perfil biográfico em versão multimídia (texto + imagens/fotos + trilha sonora, etc.) poetas brasileiros do século XX e XXI (no mínimo dois).

2. Componha texto biográfico de matemáticos (orientação do professor Narita) em versão multimídia (texto + imagens/fotos + trilha sonora, etc.). OBS: PROJETO COMPLEMENTAR

3. Apresente e socialize as biografias junto aos colegas de classe.

RECADOS PARA O SEGUNDO ANO ENSINO MÉDIO 2010

 
Uns Braços

Inácio estremeceu, ouvindo os gritos do solicitador, recebeu o prato que este lhe apresentava e Tratou de comer, debaixo de uma trovoada de nomes, malandro, cabeça de vento, estúpido, maluco.

- Onde anda que nunca ouve o que lhe digo? Hei de contar tudo a seu pai, para que lhe sacuda a preguiça do corpo com uma boa vara de marmelo, ou um pau; sim, ainda pode apanhar, não pense que não. Estúpido! maluco!

- Olhe que lá fora é isto mesmo que você vê aqui Continuou, voltando-se para D. Severina, senhora que vivia maritalmente com ele, há anos. Confunde-me os papéis todos, erra as casas, vai a um escrivão em vez de ir a outro sistema operacional, advogados Troca: é o diabo! É o tal sono pesado e contínuo. De manhã É o que se vê; primeiro que acorde é preciso quebrar-lhe os ossos ... Deixe; amanhã hei de acordá-lo um pau de vassoura!

D. Severina tocou-lhe no pé, como pedindo que acabasse. Borges espeitorou ainda alguns Improperios, e ficou em paz com Deus e os homens.

Não digo que ficou em paz com os meninos, porque o nosso Inácio não era propriamente menino. Tinha quinze anos feitos e bem feitos. Cabeça inculta, mas bela, olhos de rapaz que sonha, que adivinha, que indaga, que quer saber e não acaba de saber nada. Tudo isso posto sobre um corpo não destituído de graça, ainda que mal vestido. O pai é barbeiro na Cidade Nova, e pô-lo de agente, escrevente, ou que quer que era, do solicitador Borges, com esperança de vê-lo no foro, porque lhe parecia que os procuradores de causas ganhavam muito. Passava-se isto na Rua da Lapa, em 1870.

Durante alguns minutos não se ouviu mais que o tinir dos Talheres eo ruído da mastigação. Borges abarrotava-se de alface e vaca; interrompia-se para virgular uma oração com um golpe de vinho e continuava logo calado.

Inácio ia comendo devagarinho, não ousando levantar os olhos do prato, nem para colocá-los onde eles Estavam em nenhum momento que o terrível Borges o descompôs. Verdade é que seria agora muito arriscado. Nunca ele pos os olhos nos braços de D. Severina que se não esquecesse de si e de tudo.

Também a culpa era antes de D. Severina em trazê-los assim nus, constantemente. Usava mangas curtas em todos os vestidos de casa, meio palmo abaixo do ombro, dali em diante ficavam-lhe os braços à mostra. Na verdade, eram belos e cheios, em harmonia com a dona, que era antes grossa que fina, e não perdiam uma cor nem uma maciez por viverem ao ar, mas é justo explicar que ela os não trazia assim por faceira, senão porque já gastarà todos os vestidos de mangas compridas.

De pé, era muito vistosa; andando, tinha meneios engraçados; entretanto, ele, quase que só a via à mesa, onde, além dos braços, mal poderia mirar-lhe o busto. Não se pode dizer que era bonita, mas também não era feia. Nenhum adorno; o próprio penteado consta de mui pouco; alisou os cabelos, apanhou-os, atou-os e Fixou-os no alto da cabeça com o pente de tartaruga que a mãe lhe deixou. Ao pescoço, um lenço escuro, nas orelhas, nada. Tudo isso com vinte e sete anos floridos e sólidos.
Acabaram de jantar. Borges, vindo o café, tirou quatro charutos da algibeira, Comparou-os, apertou-os entre os dedos, escolheu um e guardou os restantes. Aceso o charuto, fincou os cotovelos na mesa e falou a D. Severina de trinta mil coisas que não interessavam nada ao nosso Inácio; mas enquanto falava, não o descompunha e ele podia devanear à larga.

Inácio demorou o café o mais que pode. Entre um e outro gole alisava a toalha, arrancava dos dedos pedacinhos de pele imaginários ou passava os olhos pelos quadros da sala de jantar, que eram dois, um S. Pedro e um S. João, registros trazidos de festas em casa encaixilhados. Vá que disfarçasse com S. João, Cuja cabeça moça alegra as católicas Imaginações, mas com o austero S. Pedro era demais. A única defesa do moço Inácio é que ele não via nem um nem outro, passava os olhos por ali como por nada. Via só os braços de D. Severina, - ou porque sorrateiramente olhasse para as enguias, ou porque andasse com eles impressos na memória.

- Homem, você não acaba mais? bradou de repente o solicitador.
Não havia remédio; Inácio bebeu uma última gota, já fria, e retirou-se, como de costume, para o seu quarto, nos fundos da casa. Entrando, fez um gesto de desespero e Zanga e foi depois encostar-se a uma das duas janelas que davam para o mar. Cinco minutos depois, a vista das águas próximas e das montanhas ao longe restituía-lhe o sentimento confuso, alguma vago, inquieto, que lhe doía e fazia bem, que coisa DEVE sentir uma planta, quando Abotoa a primeira flor.

Tinha vontade de ir embora e ficar. Havia cinco semanas que ali morava, ea vida era sempre a mesma, sair de manhã com o Borges, andar por audiências e cartórios, correndo, levando papéis ao selo, ao distribuidor, aos escrivães, aos oficiais de justiça. Voltava à tarde, jantava e recolhia-se ao quarto, até a hora da ceia; ceava e ia dormir. Borges não lhe dava intimidade na família, que se compunha apenas de D. Severina, nem Inácio a via mais de três vezes por dia, durante as refeições.

Cinco semanas de solidão, de trabalho sem gosto, longe da mãe e das irmãs; cinco semanas de silêncio, porque ele só falava uma ou outra vez na rua, em casa, nada.

- Deixe estar, - pensou ele um dia - fujo daqui e não volto mais.

Não foi, sentiu-se agarrado e acorrentado pelos braços de D. Severina. Nunca vira outros tão bonitos e tão frescos. A educação que tivera não lhe permitia encará-los logo Abertamente, até parece que a princípio afastava os olhos, VEXADO. Encarou-os pouco a pouco, ao ver que eles não tinham outras mangas, e assim os foi descobrindo, mirando e amando. No fim de três semanas eram enguias, moralmente falando, as suas tendas de repouso. Aguentava toda uma trabalheira de fora toda uma melancolia da solidão e do silêncio, toda uma grosseria do patrão, pela única paga de ver, três vezes por dia, o famoso par de braços.

Naquele dia, enquanto uma noite ia caindo e Inácio estirava-se na rede (não tinha ali outra cama), D. Severina, na frente da sala, recapitulava o episódio do jantar e, pela primeira vez, desconfiou alguma coisa Rejeitou a idéia logo , uma criança! Mas há idéias que são da família das moscas teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas pousam e Tornam. Criança? Tinha quinze anos; e ela advertiu que entre o nariz ea boca do rapaz havia um Princípio de rascunho de buço. Que admira que começasse a amar? E não era ela bonita? Esta outra idéia não foi rejeitada, antes afagada e beijada. E recordou então os modos dele, os esquecimentos, as distrações, e mais um incidente, e mais outro, tudo eram sintomas, e concluiu que sim.

- Que é que você tem? Disse-lhe o solicitador, estirado não canapé, ao cabo de alguns minutos de pausa.

- Não tenho nada.

- Nada? Parece que cá em casa anda tudo dormindo! Deixem estar, que eu sei de um bom remédio para tirar o sono aos dorminhocos ...

E foi por ali, no mesmo tom zangado, fuzilando ameaças, mas realmente Incapaz de como Cumprir, pois era antes grosseiro que mau. D. Severina interrompia-o que não, que era engano, não estava dormindo, estava pensando na comadre Fortunata. Não a visitavam desde o Natal, por que não iriam lá uma daquelas noites? Borges redargüia que andava cansado, trabalhava como um negro, não estava para visitas de parola, e descompôs uma comadre, o compadre descompôs, descompôs o afilhado, que não ia ao colégio, com dez anos! Ele, Borges, com dez anos, já sabia ler, escrever e contar, não muito bem, é certo, mas sabia. Dez anos! Havia de ter um fim bonito: - vadio, eo covado e meio nas costas. A tarimba é que viria ensiná-lo.

D. Severina apaziguava-o com desculpas, a pobreza da comadre, o caiporismo do compadre, e fazia-lhe carinhos, um medo, que eles Podiam irrita-lo mais. A noite Caira de todo, ela ouviu o TLIC do lampião do gás da rua, que acabavam de acender, e viu o clarão dele nas janelas da casa fronteira. Borges dia, cansado fazer, pois era realmente um trabalhador de primeira ordem, foi fechando os olhos e pegando no sono, e deixou-a só na sala, às escuras, consigo e com uma descoberta que acaba de fazer.

Tudo parecia dizer à dama que era verdade, mas essa verdade, desfeita uma impressão do assombro, trouxe-lhe uma complicação moral que ela só conheceu pelos efeitos, não achando meio de discernir o que era. Não podia entender-se nem equilibrar-se, chegou a pensar em dizer tudo ao solicitador, e ele que mandasse embora o fedelho. Mas era tudo que? Aqui estacou: realmente, não havia mais que suposição, coincidência e possivelmente ilusão. Não, não, ilusão não era. E logo recolhia os Indícios vagos, as atitudes do mocinho, o acanhamento, as distrações, para Rejeitar a idéia de estar enganada. Daí a pouco, (capciosa natureza!) Refletindo que seria mau acusa-lo sem fundamento, admitiu que se iludisse, para o único fim de observá-lo melhor e averiguar bem uma realidade das coisas.

Já nessa noite, D. Severina mirava por baixo dos olhos os gestos de Inácio; não chegou a achar nada, porque o tempo do chá era curto eo rapazinho não tirou os olhos da xícara. No dia seguinte pode observar melhor, e nos outros otimamente. Percebeu que sim, que era amada e temida, amor adolescente e virgem, retido pelos Liames sociais e por um sentimento de inferioridade que o impedia de Reconhecer-se a si mesmo. D. Severina compreendeu que não havia recear nenhum desacato, e concluiu que o melhor era não dizer nada ao solicitador; poupava-lhe um desgosto, e outro à pobre criança. Já se persuadia bem que ele era criança, e assentou de o tratar tão secamente como até ali, ou ainda mais. E fez assim; Inácio começou a sentir que ela fugia os olhos com, ou falava áspero, quase tanto como o próprio Borges. De outras vezes, é verdade que o tom da voz saia brando e até meigo, muito meigo, assim como o olhar Geralmente esquivo, tanto errava por outras partes que, para descansar, vinha pousar na cabeça dele, mas tudo isso era curto.

- Vou-me embora, repetia ele na rua como nos primeiros dias.

Chegava a casa e não se ia embora. Os braços de D. Severina fechavam-lhe um parêntesis no meio do longo e fastidioso período da vida que Levava, e essa oração intercalada trazia uma idéia original e profunda, inventada pelo céu unicamente para ele. Deixava-se estar e ia andando. Afinal, porém, teve de sair, e para nunca mais, eis aqui como e porquê.

D. Severina Tratava-o desde alguns dias com benignidade. A rudeza da voz parecia acabada, e havia mais do que Bandura, havia desvelo e carinho. Um dia recomendava-lhe que não apanhasse ar, outro que não bebesse água fria depois do café quente, conselhos, lembranças, cuidados de mãe e amiga, que lhe lançaram na alma ainda maior inquietação e confusão. Inácio chegou ao extremo de confiança de rir um dia à mesa, coisa que jamais fizera; eo solicitador não o Tratou mal dessa vez, porque era ele que contava um caso engraçado, e ninguém pune um outro pelo aplauso que recebe. Foi então que D. Severina viu que a boca do mocinho, graciosa estando calada, não o era menos quando ria.

A agitação de Inácio ia crescendo, sem que pudesse acalmar ele-se nem entender-se. Não estava bem em nenhuma parte. Acordava de noite, pensando em D. Severina. Errava na rua, trocava de esquinas, as portas, muito mais que dantes, e não via mulher, ao longe ou ao perto, que lha não trouxesse à memória. Ao entrar no corredor da casa, voltando do trabalho, sentia sempre algum Alvoroço, às vezes grande, quando com ela não dava topo da escada, olhando das classes Através de pau da cancela, como um tendão acudido ver quem era.

Um domingo, - nunca ele esqueceu esse domingo, - estava só no quarto, à janela, virado para o mar, que lhe falava uma mesma linguagem obscura e nova de D. Severina. Divertia-se para olhar em como gaivotas, que faziam grandes giros no ar, ou pairavam em cima d'água, somente avoaçavam ou. O dia estava lindíssimo. Não era só um domingo cristão; era um imenso domingo universal.

Inácio passava-os todos ali no quarto ou à janela, ou relendo um dos três folhetos que trouxera consigo, contos de outros tempos, comprados um tostão, debaixo do Passadiço do Largo do Paço.

Eram duas horas da tarde. Estava cansado, DORMIRA mal a noite, depois de haver andado muito na véspera; estirou-se na rede, pegou em um dos folhetos, uma Magalona Princesa, e começou a ler. Nunca Pôde entender por que é que todas as velhas histórias dessas Heroínas tinham uma mesma cara e talhe de D. Severina, mas a verdade é que os tinham. Ao cabo de meia hora, deixou cair o folheto e pós os olhos na parede, donde, cinco minutos depois, viu sair a dama dos seus cuidados. O natural era que se espantasse; mas não se espantou. Embora com as pálpebras cerradas viu-a desprender-se de todo, parar, sorrir e andar para a rede. Era ela mesma, seus braços eram os mesmos.

É certo, porém, que D. Severina, tanto não podia sair da parede, dado que houvesse ali porta ou Rasgão, que estava justamente na sala da frente ouvindo os passos do solicitador que descia as escadas. Ouviu-o descer, foi à janela vê-lo sair e só se recolheu quando ele se perdeu ao longe, no Caminho das Mangueiras da Rua. Então entrou e foi sentar-se no canapé. Parecia fora do natural, inquieta, quase maluca; levantando-se, foi pegar na jarra que estava em cima do aparador e deixou-a no mesmo lugar, depois caminhou até a porta, Deteve-se e voltou, ao que parece, sem plano . Sentou-se outra vez cinco ou dez minutos. De repente, lembrou-se que Inácio Comera pouco ao almoço e tinha o ar abatido, e advertiu que podia estar doente, podia ser até que estivesse muito mal.

Saiu da sala, Atravessou rasgadamente o corredor e foi até o quarto do mocinho, Cuja porta achou escancarada. D. Severina parou, espiou, deu com ele na rede, dormindo, com o braço para fora eo folheto caído no chao. A cabeça inclinava-se um pouco do lado da porta, deixando ver os olhos fechados, os cabelos REVOLTOS e um grande ar de riso e de beatitude.

D. Severina sentiu bater-lhe o coração com veemência e recuou. Sonhara de noite com ele, pode ser que ele estivesse sonhando com ela. Desde madrugada que a figura do mocinho andava-lhe diante dos olhos como uma tentação diabólica. Recuou ainda, depois voltou, olhou dois, três, cinco minutos, ou mais. Parece que o sono dava à adolescência de Inácio uma expressão mais acentuada feminina, quase, quase pueril. Uma criança! Ela disse a si mesma, naquela língua sem palavras que todos Trazemos conosco. E esta idéia abateu-lhe o Alvoroço do sangue e dissipou-lhe em parte um dos Sentidos turvação.

- Uma criança!

E mirou-o lentamente, fartou-se de vê-lo, com a cabeça inclinada, o braço caído; mas, ao mesmo tempo que o achava criança, achava-o bonito, muito mais bonito que acordado, e uma dessas idéias corrigia ou corrompia a outra. De repente estremeceu e recuou assustada: ouvirá um ruído ao pé, na saleta do engomado; foi ver, era um gato que deitara uma tigela ao chão. Voltando devagarinho um espia-lo, viu que dormia profundamente. Tinha o sono duro a criança! O que um boato tanto Abalara, não o fez sequer mudar de posição. E ela vê uma Continuou-lo dormir, - dormir e talvez sonhar.

Que não possamos ver os sonhos uns dos outros! D. Severina ter-se-ia visto a si mesma na imaginação do rapaz; ter-se-ia visto diante da rede, risonha e parada; depois inclinar-se, pegar-lhe nas mãos, levá-las ao peito, cruzando ali OS BRAÇOS famosos, os braços. Inácio, namorado deles, ainda assim ouvia as palavras dela, que eram lindas calidas, principalmente novas, - ou, pelo menos, pertenciam um algum idioma que ele não conhecia, posto que o entendesse. Duas três e quatro vezes a figura esvaía-se, logo Tornar Pará, vindo do mar ou de outra parte, entre gaivotas, ou atravessando o corredor com toda a graça robusta de que era Capaz. E Tornando, inclinava-se, pegava-lhe outra vez das mãos e cruzava ao peito os braços, até que inclinando-se, mais ainda, muito mais, abrochou os lábios e deixou-lhe um beijo na boca.

Aqui o sonho coincidiu com uma realidade, e como Nas mesmas bocas uniram-se na imaginação e fora dela. A diferença é que uma visão não recuou, ea pessoa real tão depressa cumprira o gesto, como fugiu até à porta, vexada e medrosa. Dali passou à sala da frente, aturdida do que fizera, sem olhar fixamente para nada. Afiava o ouvido, ia até o fim do corredor, a ver se escutava algum rumor que lhe dissesse que ele acordara, e só depois de muito tempo é que o medo foi passando. Na verdade, a criança tinha o sono duro; nada lhe abria os olhos, os fracassos nem contíguos, nem os beijos de verdade. Mas, se o medo foi passando, o vexame ficou e cresceu. D. Severina não acabava de crer que fizesse aquilo; embrulhara parece que os seus desejos na idéia de que era uma criança namorada que ali estava sem consciência nem imputação; e meia mãe, meia amiga, inclinara-se e beijara-o. Fosse como fosse, estava confusa irritada, aborrecida mal consigo e mal com ele. O medo de que ele podia estar fingindo que dormia apontou e deu-lhe na alma-lhe um calafrio.

Mas a verdade é que dormiu ainda muito, e só acordou para jantar. Sentou-se à mesa Lepido. Conquanto achasse D. Severina calada e severa eo solicitador tão ríspido como nos outros dias, nem uma rispidez de um, nem a severidade da outra Podiam dissipar-lhe a visão graciosa que ainda trazia consigo amortecer, ou-lhe a sensação do beijo. Não reparou que D. Severina tinha um xale que lhe cobria os braços; reparou depois, na segunda-feira, e na terça-feira, também, e até sábado, que foi o dia em que Borges mandou dizer ao pai que não podia ficar com ele, e não o fez zangado, porque o Tratou Relativamente bem e ainda lhe disse à saída:

- Quando precisar de mim para alguma coisa, procure-me.

- Sim, senhor. A Sra. D. Severina ...

- Está lá para o quarto, com muita dor de cabeça. Venha amanhã ou depois despedir-se dela.
Inácio saiu sem entender nada. Não entendia a despedida, nem a completa mudança de D. Severina, em relação a ele, nem o xale nem nada,. Estava tão bem! falava-lhe com tanta amizade! Como que é, de repente ... Tanto pensou que acabou supondo de sua parte algum olhar indiscreto, alguma distração que um Ofendera, outra coisa não era, e daqui a cara fechada eo xale que cobria os braços tão bonitos ... Não importa; Levava consigo o sabor do sonho. E Através dos anos, por meio de outros amores, mais efetivos e longos, nenhuma sensação achou nunca igual à daquele domingo, na Rua da Lapa, quando ele tinha quinze anos. Ele mesmo exclama às vezes, sem saber que se engana:

- E foi um sonho! um simples sonho!

(Fonte: Contos Consagrados - Machado de Assis - Coleção Prestígio - Ediouro - s / d)

 
Uma Vela para Dario

Guarda Dario vinha apressado, chuva-no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Sentou Por ela escorregando,-se na calçada, ainda úmida de chuva, e descansou na pedra o cachimbo.


Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque.


Ele reclinou-se mais um pouco, agora estendido na calçada, eo cachimbo tinha apagado. O rapaz de bigode pediu aos outros que se afastassem eo deixassem respirar. Abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata ea cinta. Quando lhe retiraram os sapatos, Dario Roncou feio e bolhas de espuma Surgiram nenhum canto da boca.


Cada pessoa que chegava erguia-se na ponta dos pés, embora não o pudesse ver. Os moradores da rua conversavam de uma porta a outra, como crianças foram despertadas e de pijama acudiram à janela. O senhor gordo repetia que Dario Sentara-se na calçada, soprando ainda a fumaça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.


A velhinha de cabeça grisalha gritou que ele estava morrendo. Um grupo o arrastou para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protestou o motorista: quem pagaria a corrida? Concordaram chamar uma ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede - não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.


Alguém da Farmácia obteve na rua outra. Não carregaram Dario além da esquina; uma farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito pesado. Foi largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobriu o rosto, sem que fizesse um gesto para espanta-las.


Ocupado o café próximo pelas pessoas que vieram apreciar o incidente e, agora, comendo e bebendo gozavam, como delicias da noite. Dario ficou torto como Deixaram o, no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.


Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os papéis, retirados - com vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira era de outra cidade.


Registrou-se correria de mais de duzentos curiosos que, a essa hora, ocupavam toda uma rua e as calçadas: era um polícia. O carro negro investiu a multidão. Várias pessoas tropeçaram nenhum corpo de Dario, que foi pisoteado dezessete vezes.


O guarda aproximou-se do cadáver e Não Pode identifica-lo - os bolsos vazios. Restava a aliança de ouro na mão esquerda, que ele próprio quando vivo - só podia destacar umedecida com sabonete. Ficou decidido que o caso era com o rabecão.


A última boca repetiu - Ele morreu morreu, ele. A gente começou a se dispersar. Dario Levará duas horas para morrer, ninguém acreditou que estivesse no fim. Agora, aos que Podiam vê-lo, tinha todo o ar de um defunto.


Um senhor piedoso despiu o paletó de Dario para lhe sustentar a cabeça. Cruzou as suas mãos no peito. Não fechar os olhos nem Pôde a boca, onde a espuma tinha desaparecido. Apenas um homem morto ea multidão se espalhou, como mesas do café ficaram vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.


Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acendeu ao lado do cadáver. Parecia morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.


Fecharam-se uma uma uma como janelas e, três horas depois, lá estava Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó, eo dedo sem a aliança. A vela tinha queimado até uma metade e apagou-se às primeiras gotas da chuva voltava, cair um que.

(Texto extraído do livro Vinte Contos Menores, Editora Record - Rio de Janeiro, 1979, pág.20. Também faz parte dos 100 melhores contos brasileiros do século, seleção de Ítalo Moriconi para uma Editora Objetiva).


Estilística

A Estilística é parte da gramática que estuda os processos de manipulação da linguagem que permitem a quem fala ou escreve sugerir conteúdos Emotivos e Intuitivos por meio das palavras. Além disso, estabelece Princípios Capazes de explicar as escolhas particulares feitas por indivíduos e grupos sociais no que se Refere ao uso da língua.


1. Denotação e conotação;
2. Figuras de Linguagem;
2.1. Figuras de Linguagem / Classificação das Figuras de Linguagem / de Palavra:
2.1.1.Metáfora;
2.1.2.Metonímia;
2.1.3.Catacrese, Perífrase, Sinestesia;

2.2.Figuras de Pensamento:
2.2.1.Antítese, Paradoxo, Eufemismo;
2.2.2.Ironia, hipérbole, Prosopopeia ou Personificação;
2.2.3. Amorizade, Gradação


2.3.Figuras de Construção ou sintáticas:
2.3.1. Elipse, zeugma, silepse;
2.3.2. Polissíndeto / Assíndeto, Pleonasmo, Anáfora, anacoluto, Hipérbato / Inversão;

2.4. Figuras de Som:
2.4.1.Aliteração, Assonância, Onomatopeia

3. Vícios de Linguagem:
3.1. Pleonasmo Vicioso, barbarismo, Solecismo
3.2. Ambiguidade, Cacofonia, Eco, Hiato, Colisão


4. Funções da Linguagem
4.1. Referincial ou Denotativa, Função Expressiva ou Emotiva, Função Apelativa ou Conativa;
4.2. Função Poética, Função Fática, Função Metalinguística.


SOBRE TODOS ESSES ASSUNTOS VÁ AO SITE: http://www.soportugues.com.br/secoes/estil/


LÁ TERÁ MUITAS RESPOSTAS ACERCA DESSES RECURSOS Lingüísticos RELEVANTES NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO LITERÁRIO.
















PROJETO AUTOBIOGRAFIA E BIOGRAFIA - 2 º ANO 2010 (Atividades do 1 º módulo)
Título: Eu sou você
Objetivos:
• Conhecer os membros de seu grupo, evitando constrangimento provável Decorrente das auto-apresentações formais.
• exercitar técnicas de aprender ouvir cuidadosamente um, durante uma conversa.
• exercitar sentimentos de empatia
(como sentir-se no lugar do outro).

Procedimentos: Os alunos se organizam em duplas, preferencialmente, com pessoas que não se conhecem. Formadas as duplas, Desenvolva as seguintes atividades em momentos distintos:



10 - Cada participante verbaliza ao colega informações RELATIVAS a si próprio, de forma bem objetiva. Seu colega de dupla apenas ouve-o atentamente, invertendo-se, posteriormente, as posições, num tempo de 10 minutos;


20 - Ao final do prazo estabelecido, todos retornaram ao grande grupo para as apresentações;
30 - em círculo, e um dos membros de cada equipe fica em pé, às costas de seu parceiro sentado na cadeira;



40 - O aluno que estava de pé faz sua apresentação como se fosse seu parceiro.
Por exemplo: Meu nome é ..., gosto de ..., ... faço, sou ..., etc;



50 - Concluída a apresentação, o parceiro apresentado (sentado, e que ficou em silêncio até então acrescenta), ou faz retira RELATIVOS ajustes ao que foi dito a seu respeito;


60 - Os alunos trocam de lugar, invertendo-se o processo (quem senta estava falando de pé,-se; quem estava sentado, levanta-se e apresenta seu colega).


Para finalizar, depois que todas as duplas se apresentaram, acrescentam-SE UM observações respeito de alguém do grupo, caso seja necessário.

Título: Eu: Ontem, Hoje, amanhã



Objetivo: Vivenciar situações de conhecimento de si mesmo e das demais pessoas do grupo.
Materiais: folhas brancas e canetas.
Procedimentos: Num primeiro momento, cada aluno escreva sua biografia, de acordo com o seguinte roteiro:

- Dados de identificação (nome, data e local de nascimento, nome dos pais, número de irmãos endereço, profissão dos pais ...);
- Recordações importantes da infância;
- Fortes Momentos da adolescência
(Aventuras, emoções, desafios, alegrias ,...);
- Pessoas que influenciar minha vida, até agora, por quê?;
- Linha de tempo, registrando momentos mais significativos até o presente.
Terminada a tarefa, um por um dos alunos Apresentou se e leu sua autobiografia. Os demais ficaram livres para anotar detalhes significativos da vida do colega.

Num segundo momento, os alunos Desenvolvem O Exercício a seguir.

Completar as frases:
• Dois objetivos que definem-me ...
• Três coisas que gosto de fazer ...
• Alguma coisa que acredito fazer bem ...
• Meu maior defeito ...
• Minha maior qualidade ...
• Três traços de meu caráter ...
• O que quero ser ...
• Minhas metas e objetivos ...
• O que faço Para alcançar minhas metas e objetivos ...
• Como me vejo nenhum ano de 2010.
Realizado o Exercício, os alunos se reuniram em grupos de 5 participantes para compartilharem as respostas.

Título: Quem sou eu?



Objetivo: Reconhecer-se e aceitar-se ou não é e como identificar o que pode fazer para mudar e viver melhor.
Materiais: cola, tesoura, revistas para recortar, papel pardo, canetas hidrocor.
Procedimentos: Os alunos procuraram em recortaram e revistas gravuras que identificassem traços de suas personalidades. A seguir, colaram-nas e fizeram em olha de ofício, UM POR UM, apresentação ao grupo, explicando o porquê da (s gravura) (s) eo que significava (m) como traço individual. Após essa etapa, foi criado coletivamente um painel.
Terminada a organização do painel, leitura de alguns poemas:Texto n º 1: IDENTIDADE

Às vezes nem eu mesmo
Sei quem sou.
Às vezes sou
"o meu queridinho"
Às vezes sou
"moleque mal criado"
Para mim
Tem vezes que sou rei,
herói voador,
Lutador de vaqueiro,
jogador campeão.
Às vezes sou pulga,
Sou mosca também,
que voa e se esconde
de medo e de vergonha
Às vezes sou Hércules, Sansão Vencedor,
peito de aço,
goleador.
Mas o que importa.
O que pensam de mim?
Eu sou quem sou, eu sou eu,
sou assim,
sou menino. (Pedro Bandeira)
Texto n º 2: Auto-retrato

Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano uma quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na arte da infância,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora) família, sem,
Religião ou filosofia;
Mal Tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional. (Manoel Bandeira)
Texto n º 3: Auto-Retrato Falado
Manoel de Barros



Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.

Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.

Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão,

aves, pessoas humildes, árvores e rios.

Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar

entre pedras e lagartos.

Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto

Desonrado Meio e fujo para o Pantanal onde sou

um Garças abençoado.

Me procurei uma vida inteira e pelo que não me achei --

Fui Salvo.

Não estou na sarjeta porque Herdei uma fazenda de gado.

Os bois me recriam.

Agora eu sou tão ocaso!

Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço (Manoel de Barros que nasceu em 1916 se firma cada vez mais como um de nossos melhores e maiores poetas. Ênio Silveira, no "O Livro das Ignorãças", Editora Civilização Brasileira - Rio de Janeiro , 1993, pág. 107)

Texto n º 4: Gita
Composição: Raul Seixas / Paulo Coelho

"Eu que já andei
Pelos Quatro Cantos do Mundo
Procurando
Foi justamente num sonho
Que Ele me falou "
Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado ...
Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar ...
Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou como Coisas da Vida
Eu sou o medo de amar ...
Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou ..
Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!
Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição ...
Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo o nada e ...
Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar ...
Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim ...
Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra "A" tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor ...
Eu sou uma dona de casa
Nos pegue pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso largo, profundo ...
Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!
Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão ...
Euuuuuu!
Mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio
O início, o fim e o meio
Euuuuu sou o início
O fim e o meio
Euuuuu sou o início
O fim e o meio ... (Intérprete Raul Seixas)


Após a leitura dramatizada do poema alunos, os:



• Identificaram no texto de contradições, como qualidades e os defeitos;
Refletiram • sobre
Como eu sou?
Aceito-me como sou ou não?
O que posso mudar para viver melhor?
O que os adultos pensam que sou?;
• Criaram um poema com uma mesma estrutura e forma do que foi lido, TENDO como título Quem sou eu?;
• realizaram apresentação em sala de aula. Os alunos que desejaram, fizeram exposição de trabalhos na escola pseudônimos, usando.

Título: Minha bandeira pessoal



Objetivo: Autoconhecer, identificando qualidades, habilidades e limites pessoais.
Materiais: Fichas de trabalho, lápis preto, lápis de cor e borracha.
Procedimentos: O professor orientou os alunos a se colocarem à vontade, acomodados espalhados pela sala de aula,.
Cada um recebeu uma ficha de trabalho, lápis e borracha. O professor explicou que cada aluno Deveria construir sua Bandeira, a partir das 6 perguntas, identificadas adiante.Para que os alunos compreendessem uma tarefa, o professor fez alusão ao fato de que uma bandeira, geralmente, representa um país, trazendo algo significativo de sua História.
Solicitou, então, aos alunos que respondessem às perguntas preferencialmente por meio de um desenho ou de um símbolo na área indicada. Os não desenhar que desejassem, Poderiam escrever uma frase ou algumas palavras. Indicando uma área onde respondidas Deveriam Ser (1, 2, 3, 4, 5 ou 6), o professor fez uma seguintes perguntas aos alunos.

• Qual a sua melhor qualidade?
• O que Gostaria de mudar em você?
• Qual a pessoa que você mais admira?
• Em que atividade você se considera muito bom?
• O que mais você valoriza na vida?
• Que dificuldades ou facilidades você encontra para trabalhar em grupo?

Terminada a tarefa, forme subgrupos compartilharam suas bandeiras, examinando-as e comentando as respostas dadas.
Na etapa seguinte, em grande grupo, pessoais e comentários individuais sobre o que mais chamou atenção em suas bandeiras eo que cada um descobriu sobre si mesmo e sobre o grupo. Na oportunidade, todos se manifestam sobre a experiência de ter compartilhado com o grupo o pessoal fazer seu, os seus sonhos, com suas descobertas, o seu pensar sobre si e sobre os outros.

Título: Quero, sobretudo, ...



Objetivos:
• Descobrir o que é ter liberdade interior.
• Questionar valores.
Materiais: lápis preto, folhas de ofício
Procedimentos: O professor distribuiu as folhas Impressas alunos para os ver (e orientou-os em um fazer uma leitura mais ea acrescentarem outros 10 aspectos diferentes dos enumerados (objetos, bens pessoais, comidas, etc)
A seguir, o professor desencadeou um trabalho de análise sobre as realidades Expressas pelos itens ea conseqüente seleção passível de ser realizada, obedecendo ao seguinte roteiro:

1. No quadro, há palavras demais! Vamos descartar algumas delas, porque Quem tudo abarca, tudo perde. Então, descartem, Riscando 4 itens.



2. Entregue sua lista um um colega para que ele Analisar um: Contém muitas coisas ainda. Em silêncio, mais o colega DEVE riscar 3 itens que não são importantes, devolvendo uma lista ao seu dono.


3. Agora, pense que você tem mais 10 anos de vida. Imagine o que poderia estar fazendo e suprima mais 3 itens desnecessários.
4. Pense em seu projeto de vida para todos (para a Humanidade), por isso, mais risque 3 itens.


5. Pense em seus melhores amigos. Escolha um item (Riscando-o) melhor amigo eo Ofereça ao seu (sua) (a).
6. Na vida, condicionamos pessoas, si --
Após a leitura dramatizada do poema alunos, os:
• Identificaram no texto de contradições, como qualidades e os defeitos;
• refletiram sobre Como eu sou? Aceito-me como sou ou não? O que posso mudar para viver melhor? O que os adultos pensam que sou?;
• Criaram um poema com uma mesma estrutura e forma do que foi lido, TENDO como título Quem sou eu?;
• realizaram apresentação em sala de aula. Os alunos que desejaram, fizeram exposição de trabalhos na escola pseudônimos, usando.

SEÇÃO PERFIL

1. Escolha uma personalidade da literatura brasileira ou portuguesa para Criar o perfil do escolhido (OBS: nada de absolvido, pesquise sobre a essa pessoa NOTÁVEL). Para que você tenha um parâmetro de como lidar com esse gênero textual "Biografia /" Perfil ", vá ao site da" Revista da Cultura "e entre em contato com diferentes perfis Construídos ao Longo da Existência dessa revista digital, 2007 a 2010, leia quanto para o (necessário Acredito que o mais é sempre melhor, nesse caso), assim já está melhor preparado para escrever o perfil da personalidade da área da literatura escolhido.
http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc31/index2.asp?page=revistacultura10 obrigatoriamente,

2. Preparar apresentação para classe (não se esqueça que uma apresentação de qualidade não exige cuidado com o tratamento de conteúdo, mas também os recursos materiais ser usado com um: painéis, cartazes, vídeos, data show, Retroprojetor, dentre outros).

3. Componha texto biográfico de Matemáticos (orientação do professor Narita) em versão multimídia (texto + imagens / fotos + trilha sonora, etc) OBS: PROJETO COMPLEMENTAR

4. Apresente socializar e como biografias junto aos colegas de classe.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cultura, Linguagem, CóDigo E RepertóRio

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DE OLHO NA GRAMÁTICA NORMATIVA

1º CASO:
Todo o mundo conhece este assunto:


Quando omitir ou não o artigo definido junto ao pronome "todo"?por Sérgio Simka*
A gramática estabelece uma distinção de sentido entre TODO e TODO O, TODA e TODA A. A diferença semântica reside justamente no uso e na omis são do artigo. Assim, atribui-se a TODO o significado de "qualquer" e a TODO O a significação de "inteiro".
Nas frases seguintes, a diferença é clara: Lia todo livro que encontrasse. Li todo o livro.
No primeiro caso, o pronome indefinido TODO + substantivo traz a ideia de "qualquer", "cada", por isso o sentido é o de que o cidadão lia "qualquer" livro que encontrasse. Por exemplo, a frase "Todo ser humano tem alma" representa o conjunto dos seres em questão, daí podermos dizer que o uso do singular (TODO = qualquer) tem valor de plural (TODO = totalidade), o que Bechara chama de "totalidade distributivamente de um conjunto plural".
No segundo caso, o adjetivo TODO + O + substantivo tem o sentido de "inteiro", "completo"; assim, o sujeito leu o livro "inteiro". Está implicada uma ideia de integralidade, daí o artigo ser obrigatório.
Todo o mundo/ todo mundo Sem o artigo, "todo" significa "as pessoas em geral":
Todo mundo ficou perplexo com a atitude do professor. Com o artigo, "todo o" quer dizer " todas as pessoas", "o mundo inteiro": O lixo é um grave problema em todo o mundo.
Particularidades
Vejamos, agora, alguns casos particulares:
O pronome indefinido no plural (TODOS) será usado sem o artigo quando um numeral substantivo antecedê-lo. Analise os exemplos:
 Todos três foram embora quando eu cheguei. "Era belo de verem-se todos cinco em redor da criança." (Camilo Castelo Branco, O bem e o mal).
Se o numeral vier seguido de substantivo, o artigo é obrigatório:
 Todos os três deputados eram casados.
O pronome indefinido será usado também sem o artigo quando houver um nome em função predicativa:
 Tinha dois filhos, todos professores. (= todos eram professores)
Usamos todo como advérbio, quando tiver o sentido de completamente. No entanto, será flexionado como se fosse adjetivo, ou seja, em gênero e número:
 A roupa estava toda manchada. Os senadores caminhavam todos felizes.
* Sérgio Simka é professor e coordenador do curso de letras das Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP), de Ribeirão Pires-SP, e da Universidade do Grande ABC (UniABC), de Santo André-SP. Autor de Português não é um bicho-de-sete-cabeças (Ciência Moderna), dentre dezenas de livros sobre a Língua Portuguesa.
Seu site:
http://www.sergiosimka.com/

2º CASO:

Hipálage
Uma palavra no lugar de outra


Há uma construção sintática que, às vezes, parece o samba do crioulo doido. É a hipálage.por José Augusto Carvalho*
Os dicionários definem hipálage como um expediente retórico segundo o qual uma palavra ocupa numa frase o lugar que convém logicamente a outra que com ela mantém um vínculo semântico e gramatical. Por exemplo: ao falar, em Os Lusíadas X, 2, em "abundantes mesas de altos manjares", Camões quer dizer, retoricamente, "abundantes manjares de altas mesas". Quando fala em "apetite necrófago da mosca", Augusto dos Anjos, no poema "Cismas do destino", parte II, quer dizer que a mosca é que é necrófaga, e não o apetite. No Hino Nacional, há um verso que diz "ao som do mar e à luz do céu profundo". Na verdade, não é o céu que é profundo, mas o mar. Afinal, a profundidade é a verticalidade para baixo (o mar) e não para cima (o céu). O autor desse verso, Osório Duque Estrada, realizou uma hipálage: o adjetivo que deveria determinar um substantivo acabou determinando outro.


A HIPÁLAGE NA LITERATURA
A hipálage ocorre com frequência na prosa impressionista, influência do movimento da pintura surgido na França, em 1874. Em Portugal, Eça de Queirós foi um dos maiores representantes do movimento, inspirado sobretudo em Flaubert, criando construções como "Uma alvura de saia moveu-se no escuro" ("Os Maias", Eça de Queirós), em vez da expressão "Alguém com uma saia branca moveu-se no escuro".
Eça de Queirós tem muitas adjetivações formadas por hipálage, como nevoeiros moles, neve silenciosa, multidões doentias dos pinheiros, choupos desfalecidos, um peixe austero.
(Fonte: Dicionário eletrônico de termos literários, Carlos Ceia)
A produção da hipálage
hipálageEm seu Dicionário de Termos Literários, lançado pela editora Cultrix, Massaud Moisés define hipálage da seguinte maneira:
"Constitui um expediente retórico segundo o qual um determinante (artigo, adjetivo, complemento nominal) troca o lugar que logicamente ocuparia junto de um determinado (substantivo) para associar-se a um outro. (...) Recurso empregado com freqüência desde o Romantismo, em razão "de um agudo subjetivismo irracional, que traz consigo um novo modo de entender o mundo e, sobretudo, o mundo humano (Bousoño 1970)".
A hipálage é um processo psíquico, como a sinestesia, que é a correspondência entre sentidos ou sensações diferentes. "Música doce", por exemplo, é uma sinestesia em que a sensação acústica - música - se associa a uma sensação gustativa - doce. É por sinestesia que falamos em "voz grossa" ou que atribuímos ideia de coisa "gorda" a uma palavra como "maluma", ou damos cores (verbocromia) a determinados sons, como o negrume ao "u" (fúnebre, túmulo, catacumba, urubu) e a clareza ao "a" (claro, raro). A hipálage, no entanto, é mais complexa que a correspondência sinestésica de sensações, e não raro diz respeito à sintaxe e não apenas à semântica. É por hipálage que dizemos que o sapato não entra no pé (na verdade, é o pé que não entra no sapato). Também por hipálage, a moça que engordou diz que determinado vestido não cabe mais nela (na verdade, é ela que não cabe mais no vestido).
Não é apenas o deslocamento de um nome ou de um verbo que produz a hipálage; a permuta de casos e de funções sintáticas também pode caracterizá-la. Assim, uma expressão aparentemente errada, como "dar a luz a uma criança" (por "dar à luz uma criança") pode ser adequadamente justificada como uma hipálage popular. Tanto faz, portanto, dizer que o bebê foi dado à luz, quanto dizer que a luz foi dada ao bebê... A preferência que as gramáticas dão a uma das expressões ("dar à luz um bebê") não justifica a condenação da outra ("dar a luz a um bebê").
Não se confunda o uso de verbos causativos com a hipálage. Quando se diz que "cigarro emagrece", o verbo "emagrecer" está no sentido causativo, registrado nos dicionários, isto é, "emagrece" significa não apenas "fica mais magro", mas também "faz emagrecer". Da mesma forma, em "massas engordam", "engordam" significa "fazem engordar".
Há exemplos "carnavalescos" de hipálage na sintaxe popular, observáveis até mesmo na fala de pessoas cultas. Quando diz que "meu carro furou o pneu", o falante não quer dizer que seu carro tenha realmente furado o próprio pneu... Quando dizemos que "Pedro quebrou o braço ao cair", não estamos querendo dizer que Pedro foi o autor da própria fratura. Quando se diz que "o tanque vazou o óleo todo", não se quer dizer que foi o tanque o autor da façanha. Outros exemplos: Cafu fez três cirurgias (foi o médico quem as fez). O jogador operou o septo nasal (foi o médico dele que operou).
Embora já se tenha falado nessas construções sintáticas em trabalhos linguísticos sobre topicalização (como o livro de Eunice Pontes, Sujeito: da sintaxe ao discurso. São Paulo: Ática/INL, 1986) não me consta que exista algum estudo específico de psicolinguística exclusivamente sobre a hipálage.
É pena.


Doutor em Letras pela USP e leciona no Curso de Mestrado em Linguística da Universidade Federal do Espírito Santo.Hipálage
http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/21/hipalage-158412-1.asp