quinta-feira, 25 de abril de 2013

PROVA DE RECUPERAÇÃO 1º ANO - 1º BIMESTRE DE 2013


EE. Prof. João Cruz
ALUNO (A): __________________________________________   
PROFESSORA: Maria Piedade Teodoro da Silva
Avaliação de Língua Portuguesa/Recuperação -  Série: 1ºano- Turma: ___                           DATA__   /__    /                                    (Valor de zero a dez)
Neste bimestre, como em todos os outros, o centro das atenções em nossas aulas será LITERATURA... Começamos, porém, buscando entender o que arte, visto que a LITERATURA é também uma manifestação artística...  

A função da arte

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
__ Me ajuda a olhar! (Roxo, Maria do Rosário e Vitória Wilson. Entre textos. V. 4, Editora Moderna.)   

1. O menino ficou tremendo, gaguejando porque
(A)   a viagem foi longa.
(B)   as dunas eram muito altas.
(C)   o mar era imenso e belo.
(D)  o pai não o ajudou a ver o mar.

2. Como sabemos a literatura é capaz de provocar reflexões e emoções no leitor. Ela desempenha quatro funções, porém dentre elas, a que professor Antônio Cândido defende, como pricipal:
a.        A função hedonística: proporciona prazer por meio da contemplação do belo. Para os gregos o belo, na arte, consistia na proximidade da obra de arte com a verdade ou a natureza.
b.        A função catártica: busca provocar efeitos morais conflitantes.
c.        A função comunicativa: busca uma comunicação entres os interlocutores de épocas diferentes. Por exemplo, o leitor de um texto literário ou contemplador de uma obra de arte, não só recebe a comunicação, mas também recria e atualiza a obra, de acordo com os aspectos artísticos e culturais do seu tempo.
d.        A função humanizadora: desenvolve um projeto transformador da sociedade.

Para começar, leia este poema a seguir para poder constatar que o escritor  usa a literatura como arma de denúncia (função social).  
TEXTO I
VIDAS SECAS de Graciliano Ramos
"Vivia longe dos homens, só se dava bem com os animais. Os pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio. Às vezes utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos – exclamações, onomatopeias. Na verdade falava pouco." (www.mundocultural.com.br/resumos/vidassecas-fragmento)

O BICHO
Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem. www.mundocultural.com.br/poemas/manuelbandeira

3. Os dois textos fazem referência ao homem reduzindo-o à condição de
A) animal irracional.
B) cidadão.
C) criança.
D) ser humano.

NÓS NOS COMUNICAMOS POR MEIO DE TEXTOS LITERÁRIOS E NÃO LITERÁRIOS, COMO JÁ SE SABE

ESTUDE: Quando indagamos a respeito do que é que distingue um texto literário do não-literário, percebemos que não há uma única resposta e sim várias respostas porém não definitivas, corroborando para a complexidade do assunto tanto posto em discussão. Podemos, no entanto, apresentar os critérios mais usados atualmente para caracterizar o texto literário e não literário.

Distingui-los com base no caráter ficcional ou não ficcional já fora constatado outrora problema insolucionável, devido a impossibilidade de diferençar o real do fictício em certas situações concretas. Por exemplo, a história de uma aparição da Virgem Maria ou da intervenção de um espírito provocam risos num cético, mas são ouvidas com respeito por um crente.

Entretanto, modernamente, tem-se buscado a demarcação dos textos em outros campos. As análises mostraram que todo texto possui uma FUNÇÃO. Com base nesta conclusão, diz-se que o texto literário apresenta uma FUNÇÃO ESTÉTICA, enquanto o texto não-literário tem uma FUNÇÃO UTILITÁRIA (informar, convencer, explicar, responder, ordenar etc.).

Conceito de Literatura, linguagem não literária e linguagem literária.

4.        Julgue as afirmações abaixo em certo (C) e errado (E).
a.        A  forma simplificada pode-se dizer que literatura é a arte da palavra; ela utiliza a palavra como matéria-prima de suas criações. Essa arte pode exercer diversas funções, tais como: função evasiva (fuga da realidade), arte pela arte, literatura engajada. (      )
b.       Uma grande característica do texto literário é possuir uma linguagem plurissignificativa. Ao fazer uso dessa plurissignificação, utiliza-se a linguagem conotativa. Quando, porém, se quer utilizar uma linguagem mais objetiva, faz-se uso da linguagem denotativa. (     )
c.        Os textos literários são divididos em dois grandes grupos: os textos em verso e os textos em prosa.Textos em versos são poemas, ou seja, aqueles construídos com verso e que cada verso corresponde a uma linha do poema. Textos em prosa são aqueles construídos em linha reta, ocupando todo o espaço da folha de papel, e organizado geralmente em frases, parágrafos, capítulos, partes. (      )
d.       É possível resumir-se uma tese, um enunciado científico, uma matéria jornalística ou um anúncio e apreendê-lo na sua essência. Mas não se resume um poema ou um romance – eles perdem todo o encanto ou a razão de ser. Num texto literário não se
 pode (     )

Leia os textos a seguir para responder as questões de  5 a 8. 

5.        Após a leitura atenta dos textos a seguir, classifique-os  como literário (A) ou não literário (B) com base no quadro exposto a seguir.
TEXTO LITERÁRIO (A)
TEXTO NÃO LITERÁRIO (B)
Linguagem pessoal, subjetiva
Linguagem impessoal, objetiva, informativa
Linguagem plurissignificativa, conotativa  e metafórica
Linguagem predominantemente denotativa
Função poética da linguagem
Função referencial ou informativa da linguagem
Recriação da realidade
Informação sobre a realidade
Ênfase na expressão
Ênfase na informação

Texto I: (    )
Apenas três pessoas sobreviveram à queda, no último dia 12, do Boeing da Transbrasil que fazia o vôo 303 entre Fortaleza e Porto Alegre e se chocou contra o morro da Virgínia, a 32 quilômetros do porto de Florianópolis, matando 48 passageiros e 8 tripulantes. Foi o segundo maior acidente da história da aviação brasileira. (Veja, 23 abril., 1980) .

Texto II: (   )

Sou vinte na máquina
 que suavemente respira,
entre placas estelares e remotos sopros de terra,
sinto-me natural a milhares de metros de altura,
 nem ave nem mito,
guardo consciência de meus poderes e sem
 mistificação eu vôo,
sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios,
unhas,
 ligado à terra pela memória e pelo costume dos
 músculos,
carne em breve explodindo.
Ó brancura, serenidade sob a violência
da morte sem aviso prévio,
cautelosa, não obstante irreprimível aproximação
de um perigo atmosférico,
golpe vibrado no ar, lâmina de vento
no pescoço raio
 choque estrondo fulguração
rolamos pulverizados
 caio verticalmente e me transformo em notícia.  (Carlos Drummond de Andrade.

Texto III: (     )
AMOR Amor?                                                                                                                     
Receios, desejos, Promessas de paraíso. Depois sonhos, depois risos, Depois beijos!

Depois ...
E depois, amada?
Depois dores sem remédio, Depois pranto, depois tédio, Depois ... nada!


Texto IV (    )
Anúncio de jornal
Solteira, 35 anos, nível universitário, boa aparência,
e muito sensível, está interessada em manter contato com senhor livre, situação financeira definida, simpático
e inteligente para compromisso sério. Favor escrever para Miriam, rua Castro, 999.
  
6. Marque V para verdadeiro e F para falso:

a.(   ) No texto I predomina a linguagem denotativa, pois o principal objetivo é informar um fato real.
b. (    ) No texto II predomina, também, a linguagem denotativa, mesmo se tratando de um texto literário.
c. (   ) No texto II predomina a linguagem conotativa, pois várias palavras foram empregadas de forma figurada.
d. (    ) A linguagem do texto I é exata e precisa, expressa de modo objetivo.
e. (   ) Nos textos III e IV, se observa a presença da linguagem poética.

7. Marque a alternativa correta:
A) O texto I foi composto com forte teor de subjetividade.
B) O texto I tem significação ampla, criada pelo contexto, com várias interpretações.
C) O texto II é subjetivo, rico em sentidos.
D) O texto II é subjetivo, mas a linguagem é objetiva.
E)  O texto IV não é informativo, por isso não predomina a função referencial.

8. Marque a alternativa em que a palavra destacada foi usada denotativamente (sentido dicionarizado).
A) A máquina respira suavemente.
B) Os parentes respiram aliviados com a notícia de que os seus familiares sobreviveram ao acidente.
C) Não há como respirar em paz em meio à tensão.
D) Os sobreviventes do acidente respiram com dificuldade.

TEXTO (texto para responder às questões de 9 a 12)
VOO
Alheias e nossas
As palavras voam.
Bando de borboletas multicores,
As palavras voam.
Bando azul de andorinhas,
Bando de gaivotas brancas,
As palavras voam.
Voam as palavras
Como águias imensas,
Como escuros morcegos,
Como negros abutres,
As palavras voam.
Oh! Alto e baixo
Em círculos e retas
Acima de nós, em redor de nós
As palavras voam.
E, às vezes, pousam.
(MEIRELES, Cecília. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar.)

9..  No poema, as palavras são comparadas a borboletas, águias e morcegos, a que se pode atribuir, respectivamente, os valores simbólicos de:
(A) sutileza, inocência e terror
(B) segredo, paixão e sensibilidade
(C) delicadeza, ingenuidade e eloquência
(D) liberdade, poder e mistério
(E) terror, paixão e inocência

10. Há uma oposição de ideias no seguinte trecho do poema:
(A) “Como escuros morcegos, como negros abutres”
(B) “Oh! Alto e baixo”
(C) “as palavras voam”
(D) “Bando de borboletas multicores”
(E) “Bando azul de andorinhas”

11. Alheias e nossas / as palavras voam”, no trecho, a palavra destacada pode ser substituída, sem prejuízo do sentido, por:
(A) redobradas
(B) permanentes
(C) intransigentes
(D) obstinadas
(E) estranhas

12.  Ainda no mesmo trecho anteriormente citado, o vocábulo voar (voam) tem o sentido de:
(A) mover-se com rapidez
(B) vestir
(C) derramar
(D) caminhar
(E) escorrer

TEXTO II (texto para responder às questões de 13 a 14)
“A maior alegria do brasileiro é hospedar alguém, mesmo um desconhecido que lhe peça pouso, numa noite de chuva.” (Cassiano Ricardo, in O homem Cordial)

13. Segundo as ideias contidas no texto, o brasileiro:
(A) Põe a hospitalidade acima da prudência
(B) Hospeda qualquer um, mas somente em noites chuvosas
(C) Dá preferência em hospedar pessoas desconhecidas
(D) Não tem outra alegria, a não ser hospedar alguém.
(E) É prudente em hospedar à noite.

14. A palavra mesmo pode ser trocada no texto, sem alteração de sentido, por:
(A) certamente
(B) até
(C) talvez
(D) como
(E) não

O gênero textual crônica, já apresentado no anterior, também faz parte do mundo da literatura. Então leia a cônica e, a seguir, responda aos seis (6) questionamentos:

Obs.: HÁ ATIVIDADES QUE EXIGEM UMA RETOMADA DOS ESTUDOS DE ALGUNS ASPECTOS GRAMATICAIS

Leia a crônica a seguir “DA INFLUÊNCIA DOS ESPELHOS”
Tu lembras daqueles grandes espelhos côncavos ou convexos que em certos estabelecimentos os proprietários colocavam à entrada para atrair os fregueses, achatando-os, alongando-os, deformando-os nas mais estranhas configurações? 
Nós, as crianças de então, achávamos uma bruta graça, por saber que era tudo ilusão, embora talvez nem conhecêssemos o sentido da palavra “ilusão”. 
Não, nós bem sabíamos que não éramos aquilo! Depois, ao crescer, descobrimos que, para os  outros, não éramos precisamente isto que somos, mas aquilo que os outros vêem. 
Cuidado, incauto leitor! Há casos, na vida, em que  alguns acabam adaptando-se a essas imagens enganosas, despersonalizando-se num segundo “eu”. Que pode uma alma, ainda  por  cima  invisível,  contra o testemunho de milhares de espelhos? 
Eis aqui um grave assunto para um conto, uma novela, um romance, ou uma tese de mestrado em Psicologia. (Mário Quintana, Na volta da esquina. Porto Alegre, Globo, 1979, p. 79)

15. Nesta crônica, o narrador
a) vale-se de um incidente de seu tempo de criança, para mostrar a importância que tem a imaginação infantil. 
b) alude às propriedades ilusórias dos espelhos, para mostrar que as crianças sentiam-se inteiramente capturadas por eles. 
c) lembra-se das velhas táticas dos comerciantes, para concluir que aqueles tempos eram bem mais ingênuos que os de hoje. 
d) alude a um antigo chamariz publicitário, para refletir sobre a personalidade profunda e sua imagem exterior. 
e) vale-se de um fato curioso que observava quando criança, para defender a tese de que o mundo já foi mais alegre e poético.

Considere as seguintes afirmações: 
I. O narrador mostra que, quando criança, não imaginava a força que pode ter a imagem que os outros fazem de nós. 
II. As crianças deixavam-se cativar pela magia dos  espelhos, chegando mesmo a confundir as imagens com a realidade.  
III. O narrador sustenta a ideia de que as crianças são menos convictas da própria identidade do que os adultos. 

16. Em relação ao texto, está correto o que se afirma em: 
a) I, II e III 
b) III, apenas 
c) II e III, apenas 
d) I e II, apenas 
e) I, apenas

17. Está INCORRETO o seguinte comentário acerca do emprego de termos ou expressões do texto: 
a) A expressão “Há casos, na vida” indica que o narrador está interessado em generalizar e absolutizar a verdade da tese que acaba de expor. 
b) No enunciado “Nós bem sabíamos que não éramos aquilo”, o termo sublinhado acentua bem a distância e a superioridade com que as crianças avaliavam suas imagens deformadas. 
c) No enunciado “Não éramos precisamente isto que somos, mas aquilo que os outros veem”, os pronomes sublinhados reforçam a oposição entre somos e veem. 
d) Ao afirmar que algumas pessoas despersonalizam-se “num segundo ’eu’”, o narrador deixa implícito que todos temos um “eu” original e autêntico. 
e) No penúltimo parágrafo, “uma alma invisível” e “testemunho de milhares de espelhos” representam, respectivamente, a personalidade verdadeira e suas imagens enganosas.

18. Na interrogação “Que pode uma alma, ainda por cima invisível, contra o testemunho de milhares de espelhos?” há a aceitação de que 
a) só a força do olhar e do interesse alheio capta as verdades de nossa alma. 
b) a verdade essencial da alma não tem como se opor às imagens que lhe atribuem. 
c) o essencial da alma só é reconhecível na soma de suas múltiplas imagens. 
d) a fragilidade da alma só é superada quando adquire a consistência de uma imagem. 
e) a legitimidade do nosso modo de ser depende inteiramente do reconhecimento alheio.

19. Segundo o narrador, a despersonalização num segundo “eu” 
a) é a causa, e as “imagens enganosas” são a sua consequência. 
b) e a adaptação às imagens enganosas são fatos paralelos e independentes. 
c) é uma consequência, cuja causa é a adaptação às imagens enganosas 
d) é uma consequência, cuja causa é a invisibilidade da alma. 
e) é a causa, cuja consequência é a invisibilidade da alma. 

20. No segundo parágrafo do texto, a oração “por saber” exprime uma 
a) causa 
b) finalidade 
c) condição 
d) advertência 
e) alternativa ,

Texto I
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra
(...) ANDRADE, C. D. Reunião. Rio de Janeiro: José Olympo, 1971 (fragmento).

Texto II
 As lavadeiras de Mossoró, cada uma tem sua pedra no rio: cada pedra é herança de família, passando de mãe a filha, de filha a neta, como vão passando as águas no tempo (...) A lavadeira e a pedra formam um ente especial, que se divide e se reúne ao sabor do trabalho. Se a mulher entoa uma canção, percebe-se que nova pedra a acompanha em surdina...
(...) (ANDRADE, C. D. Contos sem propósito. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, Caderno B. 17/7/1979 (fragmento)

21. Com base na leitura dos textos, é possível estabelecer uma relação entre forma (SIGNIFICANTE/PLANO DE EXPRESSÃO) e conteúdo (SIGNIFICADO/PLANO DE CONTÉUDO) da palavra “pedra”, por meio da qual se observa
a.        o emprego, em ambos os textos, do sentido conotativo da palavra “pedra”.
b.        a identidade de significação, já que nos dois textos, “pedra” significa empecilho.
c.        a personificação de “pedra” que, em ambos os textos, adquire características animadas.
d.        o predomínio, no primeiro texto, do sentido denotativo de “pedra” como matéria mineral sólida e dura.
e.      a utilização, no segundo texto, do significado de “pedra” como dificuldade materializada por um objeto.

Belém do Pará
Bembelelém!
Viva Belém!
Belém do Pará porto moderno integrado na equatorial
Beleza eterna da paisagem
Bembelelém!
Viva Belém!
Cidade pomar
(Obrigou a polícia a classificar um tipo novo de delinquente: O apedrejador de mangueiras)
Bembelelém!
Viva Belém!
Belém do Pará onde as avenidas se chamam Estradas:
Estrada de São Jerônimo
Estrada de Nazaré (...) (BANDEIRA, Manuel. Os melhores poemas de Manuel Bandeira. Seleção Francisco de Assis Barbosa. São Paulo: Global.1984.p.78.)

22. As palavras “Bembelelém, Belém”, com repetição de sons semelhantes sugerem
A) brincadeira com palavras.
B) evocação do repicar de sinos.
C) homenagem a Belém do Pará.
D) leveza da estrutura do poema.

 Leia o texto expositivo a seguir.

A literatura, como temos conversado, ao longo da história das civilizações, tem desempenhado papéis dos quais não se pode prescindir. Um deles, talvez o mais universal, é o tratamento das condições do estar no mundo, ou seja, o que faz de cada um o que ele é, seus sentimentos, seus pensamentos,  seus desejos, seus sonhos em diálogo com a realidade.
Outra dimensão importante da literatura é percebida na representação das coletividades e das sociedades. Por meio da produção literária de uma época, pode-se conhecer o contexto histórico e cultural dessa época. Nessa perspectiva, a literatura testemunha a passagem do tempo e possibilita conhecer o passado, a percepção dos que viveram em outros tempos e os acontecimentos que marcaram a vida de nossos antepassados. Por último, sendo criação do  espírito humano, a literatura busca na linguagem verbal mecanismos para construir o sentido e para estimular a imaginação do leitor, ou até para subverter a própria linguagem.

Atente às afirmações abaixo.

a.       A literatura trata do estar no mundo do ser humano.
b.      A literatura representa metaforicamente os grupos sociais, sua visão de mundo, sua ideologia.
c.       Cada movimento literário revela o contexto social de uma dada época.
d.      A literatura assiste ao passar do tempo, as experiências humanas louváveis e/ou não.
e.       A literatura, arte que explora a linguagem verbal (oral ou escrita) com intuito de recriar a realidade, surpreendendo, causando indignação no leitor.

23. Quais estão corretas?
(A) Apenas “a”.
(B) Apenas “c”.
(C) Apenas “a” e “b”.
(D) Apenas “b” e “c”.
(E) Todas as assertivas.

O  poema drummoniano a seguir cria a imagem a falta de perspectiva quanto ao futuro, centrada na pergunta: “E agora, José?”.

Leia o pema "José"


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?

E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ? (Carlos Drummond de Andrade)

24. José teria, segundo o poeta, possibilidades de alterar seu destino. Essas possibilidades estão sugeridas:
a) na 5ª e 6ª estrofes.
b) na 1ª, 2ª, 3ª estrofes.
c) na 3ª,4ª e 6ª estrofes.
d) na 4ª e 5ª estrofes.
e) n.d.a.

25. Só não é linguagem figurada:
a) "sua incoerência, seu ódio"
b) "seu instante de febre"
c) "seu terno de vidro"
d) "sua lavra de ouro"
e) n.d.a.

26. Das possibilidades sugeridas pelo poeta para que José mudasse seu destino,a mais extremada está contida no verso:
a) "se você tocasse a valsa vienense"
b) "se você morresse"
c) "José, para onde?"
d) "quer ir para Minas"
e) n.d.a.

27. Para o poeta, José só não é:
a) alguém realizado e atuante.
b) um solitário
c) um joão-ninguém frustrado.
d) alguém sem objetivo e desesperançado.
e) n.d.a.

28. José é um abandonado. Essa ideia está bem traduzida:
a) na 4ª estrofe
b) na 5ª estrofe
c) no 12º, 13º w 14º versos da 2ª estrofe e nos sete primeiros da 6ª estrofe.
d) no 8º e no 9º versos da 1ª estrofe.
e) n.d.a.

29. "A noite esfriou" é um verso repetido. Com isso, o poeta deseja:
a) deixar bem claro que José foi abandonado porque fazia frio.
b) traduzir a ideia de que José sentiu frio porque anoiteceu.
c) exprimir que, após o término da festa, a temperatura caíra .
d) intensificar o sentimento de abandono, tornando-o um sofrimento quase físico.
e) n.d.a

30. O verso que exprime concisamente que José é "ninguém" é:
a) "você faz versos"
b) " a festa acabou"
c) "você que é sem nome"
d) "que zomba dos outros"
e) n.d.a.

31. O verso que expressa essencialmente a ideia de um José sem norte é:
a) "José, para onde?"
b) "sozinho no escuro"
c) "mas você não morre"
d) "E tudo fugiu"
e) n.d.a.

32. Assinale a alternativa falsa a respeito do texto:
a) José é alguém bem individualizado e a ele o poeta se dirige com afetividade.
b) O ritmo dos sete primeiro versos da 5ª estrofe é dançante.
c) "Sem teogonia" significa "sem deuses", "sem credo", "sem religião".
d) Os versos são redondilha menor porque tal ritmo se ajusta perfeitamente à intimidade,singeleza e espontaneidade das ideias.
e) n.d.a.



Os textos, então, giram em torno dessa temática, fazendo um recorte, ora na questão social, ora na questão ambiental.

Leia os Textos I e II, a seguir, para responder às questões de 33 a 36.

Texto I
Desabafo


Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Eu já falei que tenho algo a dizer, e disse
Que falador passa mal, e você me disse
Que cada qual vai colher o que plantou
Porque raiz sem alma, como Flip falo, é triste
A minha busca na batida perfeita
Sei que nem tudo tá certo, mas com calma se ajeita
Por um mundo melhor eu mantenho a minha fé
Menos desigualdades, menos tiro no pé
Andam dizendo que o bem vence o mal
Por aqui vou torcendo pra chegar no final
É, quanto mais fé, mais religião
A mão que mata, reza, reza ou mata em vão
Me contam coisas como se fossem corpos
Ou realmente são corpos, todas aquelas coisas
Deixa pra lá eu devo tá viajando
Enquanto eu falo besteira nego vai se matando
Então 
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Ok, então vamo lá, diz
Tu quer paz, eu quero também
Mas o estado não tem direito de matar ninguém
Aqui não tem pena de morte, mas segue o
pensamento
O desejo de matar de um Capitão Nascimento
Que sem treinamento se mostra incompetente
O cidadão do outro lado se diz impotente, mas
A impotência não é uma escolha também
De assumir a própria responsabilidade
Hein??
Que você tem a mente, se é que tem algo em
mente
Porque a bala vai acabar ricocheteando na gente
Grandes planos, paparazzo demais
O que vale é o que você tem e não o que você faz
Celebridade é artista, artista que não faz arte
Lava a mão como Pilatos achando que já fez sua
parte. 
Deixa pra lá, eu continuo viajando
Enquanto eu falo besteira nego vai, vai
Então deixa...  (Marcelo D2)

Texto II
R$520 por uma vida
Eram 16h06 do dia 9 de agosto quando Fábio  de Souza do Nascimento morreu de insuficiência  respiratória. Ele viveu 14 anos, com os pais e a irmã, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Gostava de pipa e videogame, de desenho animado e futebol. Torcia pelo flamengo. Adorava churrasco e misto quente. Sonhava em ser motorista de caminhão.
Um mês depois de sua morte, a pipa rosa que Fabinho gostava de empinar está presa na parede, na entrada da sala do sobrado humilde de seus pais. É o símbolo de uma vida interrompida, de um drama familiar – e também de um crime. Intimadas pela justiça a fornecer a Fabinho um balão de oxigênio que poderia ter lhe salvado a vida, ao custo de R$ 520 por mês, autoridade dos governos federal, estadual e municipal discutiram, procrastinaram, ignoraram a determinação judicial até que fosse tarde demais. (Revista Época. 3/09/2010).

33. Assinale a alternativa que apresenta expressões no nível informal da linguagem.
a.        Eu já falei que tenho algo a dizer, e disse.
b.        Andam dizendo que o bem vence o mal.
c.         Por aqui vou torcendo pra chegar no final.
d.        O cidadão do outro lado se diz impotente, mas.
e.        Eu dizer o que penso dessa vida.

34. A relação vida e morte é banalizada ao longo do Texto II. Assim sendo, assinale a alternativa que apresenta duas passagens que mostram claramente essa relação no Texto I.
a.        Eu dizer o que penso dessa vida/Por aqui vou torcendo pra chegar no final.
b.        A impotência não é uma escolha também/A minha busca na batida perfeita.
c.        Andam dizendo que o bem vence o mal/Que cada um vai colher o que plantou.
d.        Tu quer paz, eu quero também/Me contam coisas como se fossem corpos.
e.        Lava a mão como Pilatos achando que já fez sua parte/Grandes planos, paparazzo demais.

35. Assinale a alternativa em que a ideia de violência contra o ser humano, contida no Texto I, é mostrada no Texto II de forma não aparente.

a.        É o símbolo de uma vida interrompida, de um drama familiar – e também de um crime.
b.        Intimadas pela justiça a fornecer a Fabinho um balão de oxigênio que poderia ter lhe salvado a vida, ao custo de R$ 520 por mês, autoridades dos governos federal, estadual e municipal discutiram, procrastinaram, ignoraram a determinação.
c.        Um mês depois de sua morte, a pipa rosa que Fabinho gostava de empinar está presa na parede, na entrada da sala do sobrado humilde de seus pais.
d.        Ele viveu 14 anos, com os pais e a irmã, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
e.        Eram 16h06 do dia 9 de agosto quando Fábio de Souza do Nascimento morreu de insuficiência respiratória.

36. As ideias de “manutenção da fé por um mundo melhor; que se sabe que nem tudo está certo,  mas com calma se ajeita; que dizem que o bem vence o mal”, contidas no Texto I, podem ser reescritas por meio da seguinte passagem tirada do Texto II:

a.        gostava de pipa e videogame, de desenho animado e futebol. Torcia pelo flamengo.
b.         um balão de oxigênio que poderia ter lhe salvado a vida.
c.        adorava churrasco e misto quente. Sonhava em ser motorista de caminhão.
d.        a pipa rosa que Fabinho gostava de empinar está presa na parede, na entrada da sala do sobrado humilde de seus pais.
e.        ele viveu 14 anos, com os pais e a irmã, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Texto III
Meu guri

Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar (Chico Buarque de Holanda)

37. A partir da leitura do Texto III, afirma-se que:

a.         cara de fome indica que a circunstância de miserabilidade é resultado da falta de cuidado que os pais têm com os filhos.
b.       rebento nasceu repentina e inesperadamente, pois sua mãe estava desempregada e sem casa.
c.        cara de fome relaciona-se com a falta de oportunidades dadas para a alguns segmentos da sociedade.
d.       rebento nasceu em um momento inoportuno, embora a família apresentasse boas condições financeiras.
e.        não tinha nem nome pra lhe dar indica que a família estava indecisa quanto ao nome da criança.

Texto IV
Brasis

Pede paz, saúde
Trabalho e dinheiro
Pede pelas crianças
Do país inteiro
Lararará!...  (Seu Jorge, Gabriel Moura, Jovi Joviniano)

38. Sobre o Texto IV, cuja ideia central é a sociedade brasileira, afirma-se que:

a.        o  clima seco da Região Norte é o principal responsável pelas mazelas sociais que estão presentes no Brasil.
b.       a falta de oportunidades no setor agrícola brasileiro promove consideráveis problemas socioeconômico, político e cultural.
c.         paz, saúde, trabalho e dinheiro representam os setores da sociedade brasileira que estão sendo trabalhados pelo governo.
d.       as crianças de todo Brasil estão amparadas  pelas famílias, por isso não precisam de  políticas públicas.
e.         o governo brasileiro é omisso em  determinadas situações, pois há grandes  desigualdades e problemas sociais.

39. A leitura dos Textos III e IV evidencia que o ponto em comum entre eles é a preocupação com:

a.        todas as crianças brasileiras.
b.        ausência de ações de políticas públicas.
c.        o desemprego.
d.        a desigualdade social.
e.         a violência desenfreada.

Como poeta satírico, Gregório de Matos Guerra denunciou a ação da metrópole que, atuando sobre  os  recursos  naturais  da  colônia,  a impedia de usufruir livremente de suas próprias riquezas. Tal política muitas vezes acarretou consequências adversas à vida socioeconômica colonial.

40. Marque a alternativa em que os versos confirmam essa afirmação.

a.         Perca quanto ganhar nas mercancias; e em que perca o alheio, esteja mudo.
b.        Ande sempre na caça e montaria: Dê nova locução, novo epíteto; E diga-o sem propósito à porfia.
c.        Atrás um negro, um cego, um mameluco, Três lotes de rapazes gritadores: É a procissão de cinza em Pernambuco.
d.        Deste em dar tanto açúcar excelente Pelas drogas inúteis, que abelhuda Simples aceitas do sagaz Brichote.
e.        Só sei que deste Adão de Massapé, Procedem os fidalgos desta terra.

2 comentários:

ESPAÇO DE LÍNGUA E LITERATURA disse...

Espero que todos já estejam estudando!

Mitin Plays disse...

voce teria as respostas das perguntas 9 a 12