segunda-feira, 31 de agosto de 2009

6ªs SÉRIES: CONTANDO HISTÓRIAS - QUEM CONTA UM CONTO AUMENTA UM PONTO




Um vampiro em São Paulo


No sábado, resolvemos ir a uma festa na casa de um colega, do outro lado da cidade. Como não conhecíamos bem o bairro, descemos do ônibus dois pontos antes e tivemos que caminhar. Já estava escurecendo e o que encontramos naquela esquina, encheu-nos de pavor.
Aquilo que estávamos vendo, arrepiou todos. Era um homem grande e sua aparência era horrível: roupas rasgadas, seu cabelo longo e loiro estava bagunçado e estava com o rosto amassado. Parecia bonito, posso dizer mais seus dentes estavam todos a mostra, com uma forma de fome. Ou sede, talvez.
Meus pensamentos foram interrompidos quando o grande homem quebrou o silêncio:
- Sabia que encontraria pessoas aqui. Pelo menos, não vou chegar em casa de mãos vazias – disse o grande rapaz, dando uma risada – Primeiramente, devo me apresentar, certo? Meu nome é Lucas. Sou bem diferente de vocês, posso crer. Vamos parar de papo furado – quando disse essas palavras, não vi mais nada. Apenas senti um braço em volta de mim e o vento em meu rosto.
Quando vi, já estava dentro da casa do sinistro Lucas.
-Regina, temos visita! – Logo apareceu uma linda mulher, com cabelos ruivos ondulados e seus olhos eram de um vermelho vivo.
-Ah, que ótimo, meu bem. – disse a bonita garota, olhando para nós. Parecia nos avaliar – Diga a eles o que acontecerá esta noite.
-Boa idéia! – E Lucas se virou para nós – Bom, vou direto ao assunto: Somos espécies... diferentes, posso dizer. Já matei matamos várias pessoas como vocês. Mas antes da triste partida, queremos que adivinhem o que nós somos – Os olhos de Lucas mudaram de preto para vermelho e logo descobri o que era:
-Você é, é... é – disse
-Lud! – Disse Eduardo, apavoradamente. Nem tinha reparado a presença dele na sala. Percebi que todos estavam lá: Eduardo, Felipe, Carol e Alice.
-Cale a Boca, garoto! – disse Lucas, indo em direção a Eduardo.
-Não!Por favor, não o machuque! Você é um vampiro – engoli um seco – Seus olhos mudam de cor e você corre muito rápido! – disse medrosamente.
-Parabéns! – disse Lucas – como prêmio, você vai ser a primeira a ser um jantar – Lucas deu uma grande gargalhada. Senti uma pontada forte em minhas costas e dei um grito.
De repente, acordei: Olhei para os lados e vi que estavam todos me olhando, inclusive a professora, com uma expressão facial não muito boa.
-Mas será possível!? Ludmila, já lhe disse para não dormir na sala de aula! – disse a professora Renata, aos berros.
-Me-me-me desculpe! Prometo que não vou mais dormir, na aula. Prometo! – disse com esperança.
- É a última vez mocinha, a última vez!
Ah, não acredito! Mais uma vez dormi na sala de aula! Acho que fiquei pensando muito naquela festa, e até tive um pesadelo com ela! Melhor passar por essa aula chata, do que passar por aquele pesadelo. Letícia Francolino Nogueira - 6°D (Amizade)



De Repente, Superpoderosos.

No sábado, resolvermos ir a uma festa na casa de um colega, do outro lado da cidade. Como não conhecíamos bem o bairro, descemos do ônibus dois pontos antes, e tivemos que caminhar. Já estava escurecendo, e o que encontramos naquela esquina echeu-nos de pavor.
Era um cadáver, e estava com uma espada fincada na cabeça! João... o xereta da turma, enquanto eu e Julinha quase desmaiávamos de medo... tirou a espada da cabeça do cadáver, e falou: "Vamos ver se corta?". Ele pegou a espada, e a passou com força numa pequena árvore q havia alí por perto, assim que passou, a árvore foi cortada ao meio.
Eu e Julinha com medo, e João como se aquilo fosse normal, falou pra mim, jogando a espada: "Pega aí".
Então, eu peguei a espada, e ela brilhou, e daí, eu estava, magicamente com uma armadura de ouro. "Maneiro!".
Então a apontei para João, e do nada, ele estava vestido de bruxo.
A apontei para Julinha, pisquei os olhos, e ela estava vestida de princesa. Daí falei: "Essa espada é mágica". E logo, João falou: "Vamos ver o lugar onde eu peguei".
Chegamos lá, o cadávir havia desaparecido, tinha somente um bilhete. Nós pegamos, e lemos, nele estava escrito: "Meus jovens, Vocês herdaram o poder! Cujo só é oferecido à cada dois bilhões de anos! Vocês tiveram corajem, e então retiraram a espada do cadáver, e vão ganhar superpoderes, e armas. Adeus".
E então, um arco surgiu nas costad de Julinha, e uma bolsa, cheia de flechas, e logo depois, apareceu um cajado na mão de João, e um livro de magias na outra.
E eu fiquei com a espada, e ganhei um escudo... E de repente minha espada pegou fogo, ficou flamejante, e eu não me feria... eu achei demais!
Então... ouvimos uma voz que dizia: "Vão para a festa, não se preocupem... é uma festa à fantasia".
Daí, fomos para a festa, e era realmente uma festa à fantasia, e nós nos divertimos muito.
E depois, vivemos muitas aventuras com nossos superpoderes. (Fábio Augusto Ribeiro 6ª série D Amizade/2009.)



Será que foi sonho?
No sábado,resolvemos ir a uma festa na casa de um colega,do outro lado da cidade.Como não conheciamos bem o bairro,descemos do ônibus dois pontos antes e tivemos que caminhar.Já estava escurecendo e o que encontramos naquela esquina,encheu-nos de pavor.

Já estávomos assustados ser uma festa estilo de terror, imagina então ao virarmos a esquina e encontrarmos uma enorme poça de sangue!?

Ao chegarmos à festa do Gabriel, fomos muito bem recebidos e fomos direto para o comes e bebes até que reparamos que o pote de mini-sanduíches estava cheio de minhocas de chocolate, assim perdi a fome rapidinho!

Fui procurar o Vinícius junto com a Aninha,mas nada dele.Pedimos para o Carlos procurar no banheiro enquanto eu e a Ana procurávamos no resto da casa, nada do Vinícios aparecer. Aninha começou a chorar rios de lagrimas(ela meio que ‘’gosta’’dele).Ligamos para o celular dele e um homem de voz grave quem atendeu, fomos ver se o Viní estava na rua fazendo uma brincadeira de mal gosto.

Quando fomos sair, a porta nao abria. Então reparamos que só tinha nós na casa(Eu,Pedro,Carlos e Aninha).Nós viramos e encontramos o tênis do Vinícius...PUF...a porta se abriu!

Saímos correndo e entramoos no primeiro ônibus que vimos parando no ponto. Em um dos bancos, estava o Vinícius meio tonto que disse

‘’Acabei de acordar, só lembro de ter levado uma pancada na cabeça!”

Acabos que descemos na rodoviaria e tivemos que pagar de novo R$2,30 do ônibus.

No outro dia, acordei com uma baita dor de cabeça,e liguei para o Carlos:

‘’Foi sonho?’’

Ele respondeu:

‘’Se foi,tá mais para pesadelo.E ta faltando R$2,30 da minha carteira’’

(Bianca Valéria de Aguiar 6ª série B,Bondade/2009)


Que estranho!


No sábado, resolvemos ir a uma festa na casa de um colega, do outro lado da cidade.Como não conhecíamos bem o bairro, descemos de ônibus dois pontos antes e tivemos que caminhar. Já estava escurecendo e o que encontramos naquela esquina, encheu-nos de pavor.

Havia dois homens encostados na parede, fumando, ficamos com medo do que eles podiam nos fazer e não porque ele estava fumando. Pensamos até em voltar e fazer outro trajeto, mas aquele era o único possível.

Atravessamos a rua, e quando nos demos conta, vimos que eles estavam nos seguindo. A Aninha (a mais nova de nós) diz ter visto armas com cada um. Só de pensar em o que eles poderiam fazer com as armas, ficamos apavorados.

Começamos a fazer um zigue-zague pelas calçadas, para vermos se conseguíamos despistá-los. Mesmo o Pedro (o mais velho de nós) que se diz bonitão e corajoso até molhou as calças de tanto medo. Pensem: rua deserta, dois homens armados e se quer uma alma (exceto as nossas).

Estávamos chegando á festa. De longe, se escutava a música. Parece que a festa estava bombando e lotada pelo o que ouvimos, pois tinha muito barulho! Olhamos para todos os lados e não vimos mais os caras. Achamos que eles tinham ido embora.

Já na festa, depois de mais ou menos uma hora, avistamos os mesmos homens (aqueles da esquina), entrando na festa. Como já os conhecíamos, ficamos com mais medo ainda (tinha muita gente, imagina o que eles poderiam fazer). De repente um deles sacou a arma, e apontou para o dono da festa! Só ouve gritaria! Todos saindo correndo desesperados... um fuzuê! Disseram em alto e bom som:

-Se alguém chamar a policia, ele já era!

Um tempo depois, chega a policia (esse negócio estava estranho), e prenderam os homens. Os donos da casa (não da festa) apareceram e explicaram tudo.

-Os contratamos para dar um sustinho em vocês por fazerem uma festa sem nossa permissão.

O estranho é que foi tudo ensaiado (não me perguntem como, mas foi)! Como nós entramos na história?

Os homens, aqueles da esquina, foram avisados de que deveriam seguir alguém que ia para a festa, e nós fomos os sortudos. Eles poderiam ter seguido outras pessoas? Sim! Mas fomos os únicos a passar por ali (sei disso, pois eles nos seguiram. Lembra?!).

Como eles sabiam que íamos para festa?

A festa era a fantasia.

Depois disso, quando me convidarem para uma festa foi falar com os donos da residência em que será feita, não estou a fim de ter um ataque.



E ai esta é a minha história, cadê a sua???

(Yohana de Sousa Munhós 6º Bondade - 2009)


6 comentários:

Lucia disse...

Parabéns Fábio
Seu texto é ótimo,
Muito criativo
e interessante.

Continue Assim.

lizandra disse...

Corpo Seco

Antigamente tinha muito Corpo Seco em Jacareí. O povo dizia que quando a pessoa era muito ruim em vida, depois de morta nem a terra aceitava e ela virava Corpo Seco.
O corpo da pessoa não se desfazia, secava. E no cemitério, às vezes a assombração tirava a mão ou o pé pra fora da terra, esse era o sinal de que ela queria sair.
Depois que saía, o Corpo Seco grudava nas costas de alguém e essa pessoa não tinha como se livrar dele, era obrigada a levar o traste onde ele quisesse. Se levasse pra outro lugar, a assombração não parava de azucrinar e não desgrudava das costas.
Geralmente o Corpo Seco pedia pra ficar perto de onde ele tinha morado quando era vivo. Chegando no lugar escolhido, quase sempre um descampado, o Corpo era amarrado numa árvore. Depois disso o “carregador” tinha que ir embora sem olhar pra trás, para não ser hipnotizado pela assombração.
No pedaço onde o Corpo Seco escolhia era ele quem mandava e sempre tinha pé-de-vento e tempestade.

Certa manhã, enquanto um coveiro arrancava as ervas daninhas, um Corpo Seco tirou a cabeça pra fora da terra e começou a falar. Era uma tal de Cida Tramela, que tinha sido uma filha muito ingrata.
Quando isso acontecia, era preciso chamar a mãe do Corpo Seco para bater nele com vara de marmelo benta, três vezes, antes dele sair do cemitério.
Enquanto foram chamar a mãe da Cida Tramela, o coveiro pediu pra avisar nas casas que ia sair um Corpo Seco, por volta do meio-dia.
Os moradores da região do Avareí já sabiam o que acontecia, por isso, as mulheres recolhiam as roupas do varal e todo mundo entrava pra casa.
O coveiro e outro moço saíram com a assombração nas costas, passaram pelo córrego e por uma porteira. Andaram mais uma légua e meia e o Corpo Seco pediu para ficar ali.
Os dois homens amarraram a assombração numa mangueira e foram saindo. Assim que deram os primeiros passos, o Corpo Seco chamou os dois e disse que se tinha enganado. Então, pediu pra ser amarrado perto da porteira porque tinha morado lá antes de morrer.
Na ida, o Corpo Seco já tinha visto a porteira, mas não falou nada porque queria andar mais um tempinho nas costas do coveiro.
O coveiro e o moço ficaram com medo de olhar pra trás e serem hipnotizados, mas o Corpo Seco garantiu que não iria fazer isso com eles.
Mesmo desconfiados, os dois homens acharam melhor obedecer, até porque não tinham outra saída. Por via das dúvidas, o coveiro e o moço desamarraram o Corpo Seco olhando pros lados e não pros olhos dele. A assombração grudou de novo nas costas do coveiro e os três pegaram o caminho para a porteira.
Chegando lá, o coveiro e o moço amarraram o Corpo Seco num ipê roxo e foram embora.
Durante o período em que o coveiro e o moço estavam carregando o Corpo Seco aconteceu uma ventania na região do cemitério. As roupas esquecidas nas cercas rasgaram, algumas casas começaram a sacudir e o povo viu um balão preto rodando em cima dos telhados.
Era um balão muito grande e estranho que ficou contornando as casas até os dois homens retornarem. Quando o coveiro e o moço estavam voltando, viram o balão preto se afastar e descer onde estava amarrado o Corpo Seco.

Dizem que no Parateí existia um Corpo Seco que ficava amarrado numa árvore e tinha um colar de ouro muito bonito, que brilhava de longe.
E todo mundo queria o colar. O pessoal fazia uma vara de taquara comprida, com um gancho na ponta, e ia futucar o Corpo Seco.
A vara pegava no colar e subia bem devagarinho, mas quando passava pelo queixo do Corpo Seco, ele fazia:
- “Schiiiiiiiuu!”
E todo mundo saía correndo.
Nessa hora começava o pé-de-vento. As crianças miúdas gostavam disso porque a ventania era tanta que elas voavam um pouquinho.
(Lizandra Cristina de Campos-6 série A)

mateus disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mateus disse...

Um fantasma de mentirinha

No sábado,resolvemos ir a uma festa na casa de um colega,do outro lado da cidade.Como não conhecíamos bem o bairro,descemos dois pontos antes e tivemos que caminhar.Já estava escurecendo e o que encontramos naquela esquina,encheu-nos de pavor.
Vimos um fantasma e ele começou a correr atrás de nós.Quando dispistamos ele paramos para descansar,Eu,Amanda,Wesley e Gabriel,e vimos que nossa amiga Gabriela avia sumido,então continuamos a andar e mais um pouco para frente Wesley também havia sumido.ficamos muito assustados,e começamos a correr,e ouvimos gritos que eram de Amanda que também havia sumido.
Andando mais um pouco eu e Gabriel ouvimos barulho de música e fomos na direção dela,quando chegamos lá não era a casa de nosso amigo,e saindo daquela casa Gabriel desapareceu...assustado comecei a correr e finalmente achei a casa de nosso amigo cheguei la desesperado e entaum todos os meus amigos estavam lá,Amanda,Wesley,Gabriel e também a Gabriela,e me contaram que aquilo era armação para brincar comigo pois era festa de hallowen.
ass:Mateus de Moraes 6b

eu te amo... disse...

No sábado anoite

No sábado,resolvemos ir a uma festa na casa de um colega,do outro lado da cidade.Como não conhecíamos bem o bairro,descemos dois pontos antes e tivemos que caminhar.Já estava escurecendo e o que encontramos naquela esquina,encheu-nos de pavor,era um senhor de idade correndo pedindo socorro,nós o perguntamos o que havia,ele nós respondeu:-Socorro,socorro,a minha loja,mas o que tem a sua loja,nós o perguntamos,e ele disse que estava sendo roubada com a esposa,na hora eu não sabia o que fazer se eu corria ate a loja pra ajudar a senhora ou se corria ate o orelhão mais perto e ligava pra polícia,meu amigo disse:-Anda pensa logo,ta deixa eu pensar,foi o que eu disse na hora.Eu estava entrando em pânico então decidi e falei:-Corre ate o orelhão para ligar para a polícia e pede ajuda que eu vou ate a loja pra ajudar a senhora,fui correndo ate a loja e vi ela la então entrei de fininho sem o ladrão me ver quando estava chegando eu esbarrei em uma cadeira e ele ouviu e disse:-Querendo fugir,ai eu começei a soar frio quando ouvi o barulho da sireni chegandomais proximo o ladrão disse:-E agora como vou fugir estou pego,ja sei vou fugir pelos fundos,a senhora disse na hora:-não vai não,pegou seu sapato e tacou na cabeça do ladrão a polícia chegou e prendeu o ladrão e nós falou:e que bom que tudo acabou bem mas nem tudo nós perdemos a festa,espera vocês estão falando da festa de um tal de Gabriel?E sim como você sabe.E que meu filho estava indo quando vocês ligaram mas vocês querem carona?Queremos sim.
Então tudo ocorreu bem e eles se divertiram na festa.(Paola Medeiros/6°C n°32)

Anna Carolina disse...

Cortejo da rede

Naquele tempo, o enterro era bem diferente de hoje. Quando morria alguém na roça ou num bairro afastado do cemitério do Avareí, vinha uma pessoa na cidade arrumar a papelada do enterro e comprar pano para fazer a mortalha do defunto. Geralmente quem fazia isso era o inspetor de quarteirão, o responsável pela região onde morava o falecido.
O tecido era comprado na loja do Seu Salomão e ele abria o estabelecimento a qualquer hora do dia ou da noite, sempre que precisasse. As mulheres costuravam a mortalha na mão. Depois que terminavam, o carretel e o pano que sobravam eram enterrados com o defunto, se não, ele voltava pra buscar.
Dependendo da distância, o cortejo saía de madrugada porque a caminhada levava horas para chegar até a cidade. Antes da rede sair, as pessoas tomavam um café reforçado pra agüentar o tranco.
Os homens colocavam o defunto na rede e depois ela era amarrada em um bambu bem forte. Um homem pegava na frente, outro atrás e o povo seguia em direção à igrejinha do Cruzeiro, no São João.
A rede vinha balangando pelo caminho, com o povo atrás, até chegar na capela.

Dona Francisca morava no caminho por onde passavam as redes e já viu muitos cortejos de sua janela, um deles foi o de um tropeiro do Morro do Tatu.
Tinha chovido no dia do enterro desse tropeiro, por isso, a terra ficou lamacenta e escorregadia. Os dois homens que carregavam a rede penaram pra descer o morro e quando chegaram lá embaixo, coçaram a cabeça ao verem um brejo bem no caminho pra cidade.
O povo ficou cabreiro, metade achou que era perigoso atravessar o brejo, outra metade achou que não e no fim, todo mundo resolveu seguir adiante porque não tinha outro caminho.
Mas na verdade tinha...
Do outro lado do Morro do Tatu existia uma trilha que não passava pelo pedaço alagado, só que as pessoas do cortejo não sabiam disso.
Então, já quase chegando no brejo, o defunto tirou a cabeça pra fora da rede e, apontando o dedo, falou:
- Quando eu era vivo, eu passava por lá.
E o povo, perna pra quem tem.

Dona Francisca também já viu um cortejo com uma pessoa só, o próprio defunto. Era um capataz lá dos lados do Bom Jesus, tão cruel que quando ele morreu colocaram seu corpo dentro de um carro de boi, ninguém quis levar o defunto até a capela.

Mas o comum era ter cortejo com gente. E quando as pessoas chegavam na igrejinha do Cruzeiro, tiravam o morto da rede e começava o velório. Tinha uma caixa para guardar as redes, mas ninguém sentava nela, o povo ficava o velório inteiro em pé.
Acabado o velório, o cortejo partia pro cemitério do Avareí. O morto era colocado numa cova e depois traziam a rede de volta pra ser lavada e servir pra outro.
Os enterros foram desse jeito, por muito tempo.

Até que numa ocasião, o médico Joaquim Mendonça viu um enterro desses e ficou com muita pena. Então, o doutor reuniu alguns ricos da cidade e eles financiaram uma funerária. A partir daí, os enterros mudaram.
O cortejo da rede rumava pra capela do Cruzeiro, chegando lá, alguém ia até a Santa Casa emprestar o caixão e trazia também um pano branco para colocar o falecido. O defunto era tirado da rede e colocado dentro do pano branco, que depois recebia uma costura.
Dentro desse tecido parecido com um saco, o morto era ajeitado num caixão bege fosco. Se o defunto fosse criança ou virgem, o povo enfeitava o túmulo com galão branco.
Terminada a arrumação, o caixão seguia para o cemitério do Avareí. Os parentes pegavam o morto que estava dentro do saco e enterravam na cova. Na volta, devolviam o caixão pra Santa Casa.
(Anna Carolina Silva Lopes 6ºA-disciplina)