sábado, 6 de março de 2010

REVISITANDO AS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA DO 1º ANO"E" 2010!!!! SEMANA DO DIA 01/03 a 05/03

ALÔ POVO DO 1° ANO "E", LEIA, COM CARINHO E COMPROMISSO, OS REGISTROS A SEGUIR E COMENTE E QUESTIONE SOBRE AS IDEIAS EXPOSTAS

Não podia deixar de dividir com vocês a fala de Nely Rosa, produtora, ao se dirigir ao poeta Bartolomeu Campos Queirós, nosso já um pouco conhecido, pois que, nessa semana, principalmente, voltamos nossos estudos com mais criticidade não só para observar os recursos linguísticos e textuais do gênero discursivo autobiografia, como, o uso obrigatório da 1ª pessoa do singular (verbos e pronomes) e a exploração de referência explícita (intertextualidade); mas também o plano de contéudo (as reveleções íntimas do eu lírico/narrador) dessa surpreendente autobiografia “... saudades que eu não tenho” desse poeta mineiro que tem deixado como legado, para leitores de 8 a 80 anos, a poesia dele invulgar, esmerada e de múltiplos olhares desse que” constitui abertura para regiões profundas da comunicação poética. Por isso, sua expressão consegue ser, ao mesmo tempo, simples e densa. Ler o seu texto é envolver-se de imediato com a magia das palavras, é seduzir-se com a beleza e a musicalidade da prosa.

VAMOS A FALA DE NELY ROSA: As histórias, os poemas de Bartolomeu não tem idade. Seus livros levam as crianças, os adultos, coração e cabeça a se mexerem. A magia de Bartolomeu é ter "Os Cinco Sentidos", brincar com o "Coração não toma Sol" e ver de perto "Ah! Mar". Sabe criar, brincar com as palavras, dando o melhor ritmo, fazendo com que a preguiça dos nossos adolescentes, para a leitura, fique de lado. Bartolomeu tem livro para "Pedro", "Mário" e "Raul", agora para a "Flora". E também para os que estão descobrindo brincar com "As Patas da Vaca" e com os "Pintinhos e Pintinhas" até aprender "Ler e Escrever e Fazer conta de Cabeça". Mas o que a gente quer mesmo é contar para os filhos que "Onde tem Bruxa tem Fada", e sair correndo atrás dos "Ciganos". Emocionar e chorar junto com eles, quando for descobrir os textos que o avô "Por parte de Pai" escrevia nas paredes da casa. Correr atrás da poesia para seu neto que está começando a ver o mundo com os "Bichos... são Todos Bichos", e mostrar para ele que nossas serras estão desaparecendo lendo "Minerações" que ganhou na França o premio Quatrième Octogonal", e contar sempre "Estória em 3 Atos" para que nunca esqueça "O Diário de Classe" que vai começar um dia. Esperar que logo mais chega até nós o seu livro que já está saindo da gráfica agora, no 2002: "Mais com mais dá menos". E "Flora", já está nas boas livrarias.

É isso. Para Bartolomeu não temos idade. (Nely Rosa)

É RELEVANTE NESTE MOMENTO, APRESENTAR UMA DAS PRECIOSIDADES DE QUEIROZ
(Observe que as lembranças da infância têm parada obrigatória nas narrativas poéticas de Bartolomeu Campos de Queirós. Observa-se uma sobreposição de gêneros discursivos: ao mesmo tempo, temos autobiografia e relato pessoal. É escrito em prosa, mas é poesia.) 

Minha cama ficava no fundo do quarto. Pelas frestas da janela soprava um vento resmungando, cochichando, esfriando meus pensamentos, anunciando fantasmas. As roupas, dependuradas em cabides na parede, se transfiguravam em monstros e sombras. Deitado, enrolado, parado, imóvel, eu lia recado em cada mancha, em cada dobra, em cada sinal. O barulho do colchão de palha me arranhava. O escuro apertava minha garganta, roubava meu ar. O fio da luz terminava amarrado na cabeceira do catre. O medo assim maior do que o quarto me levava [...] a acender a luz [...]. O claro me devolvia as coisas em seus tamanhos verdadeiros. O nariz do monstro era o cabo do guarda-chuva, o rabo do demônio o cinto do meu avô [...] (QUEIRÓS, 1995, p. 17-18).
 
Pelas frestas da janela soprava um vento resmungando, cochichando, esfriando meus pensamentos, anunciando fantasmas. As roupas dependuradas em cabides na parede se transfiguravam em monstros e sombras. Deitado, enrolado, parado, imóvel, eu lia recado em cada mancha, em cada dobra, em cada sinal. O barulho do colchão de palha me arranhava. O escuro apertava minha garganta, roubava meu ar. O fio da luz terminava amarrado na cabeceira do catre, O medo, assim maior do que o quarto, me levava a apertar a pêra de galalite e acender a luz [...] O nariz do monstro era o cabo do guarda-chuva, o rabo do demônio o cinto de meu avô, o gigante, a capa “Ideal” cinza para os dias de chuva e frio. Então procurava distrair meu pavor decifrando os escritos na parede, no canto da cama, tão perto de mim. (Ibid., p. 17-18).
 
As paredes eram o caderno do meu avô. Cada quarto, cada sala, cada cômodo, uma página [...] Para cada notícia, escolhia um canto. Conversa mais indecente ele escrevia bem no alto. Era preciso ser grande para ler, ou aproveitar quando não tinha ninguém em casa. Caso de visitas ele anotava o dia, a hora, o assunto ou a falta de assunto. Nada ficava no esquecimento, em vaga lembrança.


[...]
Enquanto ele escrevia, eu inventava histórias sobre cada pedaço da parede. A casa do meu avô foi o meu primeiro livro. Até história de assombração tinha. (QUEIRÓS, 1995, p. 11).



Se ninguém queria ouvir suas histórias, minha avó se punha a cantar... Meu avô, sem se dar conta vinha se assentar junto de nós e escutava, com admiração, minha avó nos encantar com rainhas deusas, mancebos, heróis cheios de brilhos e vitórias. Com olhar embaçado, ele parecia saber de outras histórias, mas não contava por cuidado. (Ibid., p. 38-39).



As paredes eram o caderno do meu avô. Cada quarto, cada sala, cada cômodo, uma página [...] Para cada notícia, escolhia um canto. Conversa mais indecente ele escrevia bem no alto. Era preciso ser grande para ler, ou aproveitar quando não tinha ninguém em casa. Caso de visitas ele anotava o dia, a hora, o assunto ou a falta de assunto. Nada ficava no esquecimento, em vaga lembrança.



Minha avó não perguntava quem eram. Fé, Esperança e Caridade assistiam “O Direito de Nascer”, como única diversão. Usavam caximir-buquê e perfumavam a cidade inteira, dizia minha avó, sem inveja, por preferir alfazema, com rótulo de moça no campo e cesta de flores no braço. “Viver sem esperança é como ter casa sem janela”, escreveu meu avô, com letra miúda, perto da fechadura. (QUEIRÓS, 1995, p. 23).


Uma coisa meu avô sabia fazer: olhar. Passava horas reparando o mundo. Às vezes encarava um ponto no vazio e só desgrudava quando transformava tudo em palavras nas paredes. Ele não via só com os olhos. Via com o silêncio.” (Ibid., p.26).

ALUNOS, ATENTEM AO ESTILO DE QUEIRÓS PARA QUE ELE SIRVA DE REFERÊNCIA PARA A TUA AUTOBIOGRAFIA POÉTICA E, AGORA, NÃO MAIS INFORMATIVA COMO FOI FEITA NA PRIMEIRA PRODUÇÃO.

NOTA: as tarefas da semana, além da participação efetiva no blog, como todos já sabem,  em dupla, é a criação de uma autobiografia de Jorge Amado(a escolha desse escritor, se deve a leitura do romance "Capitães da areia" que já está ocorrendo) em folhas que lembrem pergaminho amarelecido pelo tempo. Algumas duplas já se apresentaram, outras ficaram encubidas de refazer o trabalho(não fizeram autobiografia e sim biografia, sem bibliografia e capa). As apresentações continuam ocorrer nesta semana.(atividades de avaliação do bimestre). 

O livro didático ("Português - Ensino Médio - volume 1", de José de Nicola, editora Scipione) começa ser usado esta semana (todas as quintas-feiras), iniciaremos pelo capítulo 6 "Intertextualidade", págs 192 a 206 - teoria e atividades. 
Como sugestão, o aluno deve visitar o site a seguir "Intertextualidade da música com a literatura". Tenho certeza que será um estudo enriquecedor para as nossas próximas aulas. http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2319

VOCÊ QUE JÁ ESTÁ LENDO CAPITÃES DA AREIA, DE JORGE AMADO, ASSISTA TAMBÉM A ESSE VIDEO DE QUANDO NOSSO ESCRITOR MAIS AMADO DOS AMADOS ESTAVA NA VÉSPERA DE COMPLETAR 80 ANOS.



19 comentários:

Libânia disse...

Olá professora essa semana foi maravilhosa ,no monebto não tenho dúvidas continue assim .
Libânia 1°E

ESPAÇO DE LÍNGUA E LITERATURA disse...

Libânia, por favor, leia as minhas recomendações e as seguiam quanto ao teu comentário semanal. Estou aguardando!!!!!!!

Lucas disse...

oi professora..
ok, eu li o texto.. mas e agora? acho que não tenho muito o que questionar..
Romagno 1E

ESPAÇO DE LÍNGUA E LITERATURA disse...

Romagno, espero comentários acerca do conteúdo exposto. o que aprendeu; se há dúvida em algum aspecto; o que pode acrescentar; comparar a tua autobiografia se ela foge de ser informativa. volte ao texto e direcione teu olhar para essses aspectos. Mostre que aprendeu. até

fernando disse...

Olá professora, também nao tenho nada a questionar.
Fernando 1E

ESPAÇO DE LÍNGUA E LITERATURA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ESPAÇO DE LÍNGUA E LITERATURA disse...

Fernando, leia o recado enviado para Romagno, pois servirá, não só para você, mas também para todos alunos do 1° ano E. Abraços.

Reveja orientações, regaça as mangas e vamos ao trabalho.

Prof. Narita disse...

Oi pessoal do 1º Ensino Médio E!!!
Após ter lido os comentários percebi que a maioria dos alunos não entenderam a proposta da professora Piedade.A finalidade não é acessar o blog e deixar um oi. Para isso existe orkut e msn.
A finalidade é fazer com que vocês participem efetivamente das aulas de Língua Portuguesa e diariamente retomem os conteúdos trabalhados em sala de aula, pois esta é uma forma de orientação de estudo. Toda vez que retomamos um assunto e tecemos cometários, automaticamente estamos estudando, pois para isso é necessário que tenhamos conhecimento do assunto discutido. Participem, argumentem, façam perguntas. Suguem todo conhecimento que esta professora maravilhosa e competente tem para lhes passar. Vejam nossos alunos brilhando nos vestibulares das escolas públicas e tirando as melhores notas nas redações. Todos eles são da grife "Maria Piedade Teodoro da Silva", segundo os alunos dos terceiros anos do Ensino Médio.
Espero comentarários mais consistentes para a próxima semana.
Estou aguardando comentários no meu blog em "REVISTANDO AS AULAS SEMANAIS DE MATEMÁTICA". Façam relato!

Cassiano disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
alininha 100%cine disse...

gostei e achei muito importante fazermos a autobiografia irformativa pois resume explicitamente as ideias principais e aumenta o nosso conhecimento nesse caso da vida de jorge amado .no momento nao tenho nenhuma dÙvida.e gostaria que próximo livro que lermos seja voltado para a vida dos adolescentes de hoje em dia isso causaria mas debate na sala pois È um momento que estamos vivenciando no presente.biografia È contar a vida de alguem e autobiografia È falar de si mesmo.1e aline.

matheus disse...

O video é importante para nós conhecermos um pouco mais sobre o escritor Jorge Leal Amado !
O video contribui para nós obtermos conheçimento sobre suas obras !
Por : Rodrigo Maia ; Matheus Tonello e José Guilherme !
Tenho algumas difuculdades sobre a ortografia ( Matheus Tonello )
Obrigado !

Thainara disse...

O video é importante para conhecermos a vida e as conquistas do escritor Jorge Leal Amado por o video ser de facil entedimento facilita bastante.
Thainara 1º EME

Julia Moura disse...

O video foi importante para o conhecimento mais profundo da vida de Jorge Amado , pois além do trabalho o video foi um acrescimo .
Jorge Leal Amado foi um dos mais importantes na Literatura Brasileira , e o video mostrou mais ainda sobre a vida do autor .

Julia Moura
1 EME

Bruna disse...

Bom professora reconheço que faltei bastante nas suas aulas essa semana, então não tenho muito o que dizer.
Mais estou gostando bastante da suas e aprendendo bastante também (sem dúvidas no momento).. Até ..

alininha 100%cine disse...

o assunto que esta sendo abordado no momento é a intertextualidade que trabalha o contexto do texto.e aprendi que não existe textos originais pois o mesmo sempre trata de um assunto que ja foi abordado em outro texto.
o livro do jorge amado é muito interesante pois relata historias de crinças que vivem na rua e o sofrimento para sobreviverem.aline 1ano E.

alininha 100%cine disse...

aline 1 ano e. achei muito importante os assuntos abordados durante a semana toda a auto biografia que conhecidi em poetica em verso ; poema ,em prosa e poesia,e satirica.

alininha 100%cine disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
rodrigo disse...

Bom , Professora , a Principio , as aulas de intertextualidades estao sendo de uma certa forma "lucrativa" pra todos nós , pois no momento a materia parece ser de facil entendimento !
Por conta disso , estou sem duvidas ate agora !
Ate Mais !

Piendgel disse...

olá professora essa semana que passo não pude aproveitar as sua aulas porque andei faltando por motivos pessoais mais pelo o que eu tive vendo no blog o video sobre JORGE LEAL AMADO e foi de facil entendimento pude ter mais conhecimento sobre suas obras.
bjss